PUBLICIDADE De acordo com instrutores e guias turísticos, local pode ter desmoronamento por causa das escavações que ainda acontecem 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Conheça o local 'Grutas do Spar' onde a enfermeira Rosemary da Silva Garcia, de 59 anos, morreu após se desequilibrar e cair — Foto: Reprodução / Instituto Lion Fire RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 16/06/2026 - 22:03 Grutas do Spar em Maricá: Atração Perigosa sem Sinalização Adequada As Grutas do Spar, em Maricá, são populares entre aventureiros, mas carecem de sinalização e apresentam riscos de desmoronamento. No local, uma enfermeira de 59 anos morreu ao se desequilibrar durante rapel. A área, situada em propriedade privada sem supervisão adequada, possui cavernas formadas por antigas escavações e continua a atrair visitantes, apesar dos perigos. A Polícia Civil investiga o incidente. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O local conhecido como Grutas do Spar, em Maricá, atrai dezenas de visitantes apaixonados pela natureza e atividades radicais. Entretanto, apesar da beleza e da natureza que chamam a atenção, é preciso ter atenção ao visitar o local que fica na Mata Atlântica. Segundo relatos, as grutas ficam em uma propriedade privada, não têm sinalização apropriada e apresentam riscos de desmoronamento e aprisionamento subterrâneo em alguns pontos. No último domingo, a enfermeira Rosemary de Silva Garcia, de 59 anos, estava conhecendo o local e aguardava a sua vez para descer o rapel quando parou para passar repelente na borda e se desequilibrou de uma altura de quase 30 metros. Ela não resistiu aos ferimentos e morreu no local. Para chegar às Grutas do Spar, é preciso fazer uma trilha, com o valor tabelado de R$ 120 para os turistas e R$ 60 para os moradores de Maricá. Para chegar à trilha, o motorista precisa pegar a Rodovia Amaral Peixoto, sentido Niterói, e seguir até a Capela São João Batista, no bairro Spar. Na rua próxima à igreja, é preciso virar à esquerda e começar a caminhada. Ao chegar ao local das cavernas, os visitantes são surpreendidos pela beleza da natureza. As cavernas foram formadas por escavações antigas e são cercadas por árvores da Mata Atlântica. E dentro de uma delas há um lago natural de águas das chuvas. Mas é preciso tomar cuidado ao visitar o local. Nas redes sociais, Rosemary de Silva Garcia compartilhava fotos de outras atividades que fazia — Foto: Reprodução / Facebook Riscos de desmoronamento e aprisionamento Segundo o guia turístico Paulo Pereira da Silva, de 43 anos, que trabalha levando grupos de até dez pessoas para conhecer o local, a trilha dura cerca de 40 minutos e o caminho é íngreme à medida que avança pela mata. Durante a caminhada, os visitantes precisam se atentar aos pedregulhos, mata e chão escorregadio após os dias chuvosos. Além disso, não há nenhuma sinalização durante o percurso. — Não tem sinalização nenhuma, nem na trilha e nem no rapel, em nada. Só uma plaquinha marrom avisando que chegou à Gruta — afirma o guia. Nas cavernas, é preciso utilizar lanternas para enxergar o interior, que é bastante escuro e pode ter morcegos e aranhas, além de apresentar riscos de desmoronamento. Isso porque as rochas do local foram formadas pela escavação de pedras malacachtea e feldspato que era feita no local há cerca de 50 anos. A mina foi fechada por causa da desvalorização do feldspato, mas, segundo o instrutor e professor de rapel e atividades esportivas do Instituto Lion Fire, Matheus Moura, de 28 anos, ainda há escavações em locais próximos às cavernas. — Nós nunca soubemos quem é o dono, ninguém nunca se apresentou, mas ainda há escavações próximas às grutas e retiradas de materiais. Além das placas que aparecem às vezes e logo são retiradas, não sabemos quem as coloca ou tira — conta o instrutor que já guiou 400 pessoas e realizou alguns treinamentos nas Grutas do Spar. Treinamento feito no local de rapel onde a enfermeira Rosemary se desequilibrou e caiu enquanto aguardava a sua vez para descer — Foto: Reprodução / Matheus Moura, Instituto Lion Fire Ainda de acordo com Matheus Moura, um dos principais riscos é o desmoronamento das cavernas antigas, abaladas pelas escavações que ainda são feitas próximas às grutas por uma empresa desconhecida. Outro risco é o dos visitantes ficarem presos dentro de uma das cavernas que possui o lago de águas da chuva que é muito visitado, e também não tem sinalização ou iluminação. Segundo ele, o local é também visitado por pessoas que não possuem nenhum conhecimento da área e não vão acompanhadas por guias. Com a falta de sinalização também no local do rapel, a orientação aos visitantes é feita pelos próprios instrutores. Alguns profissionais colocam uma corda extra para estabelecer um limite antes da borda da descida. No caso da queda de Rosemary de Silva Garcia, ainda não se sabe se a equipe responsável pela atividade delimitou a distância que ela deveria ficar da beirada e se ela ultrapassou esta barreira. A Polícia Civil informou que a 82ª DP (Maricá) investiga a morte. "A perícia foi realizada no local e testemunhas foram ouvidas. Outras diligências estão em andamento para apurar a morte de Rosemary da Silva Garcia", explicou a corporação, em nota. E a Prefeitura de Maricá afirmou que as Grutas do Spar são privadas e estão inseridas nos limites do Refúgio de Vida Silvestre Municipal de Maricá (Revis). Por ser uma propriedade particular, "a prefeitura não é responsável pela autorização, fiscalização ou interdição de atividades de rapel realizadas no local". Procurado, o Refúgio de Vida Silvestre Municipal de Maricá (Revis) não respondeu ao GLOBO até a última atualização desta matéria. *Estagiária sob supervisão de Leila Youssef