Primeiro alemão a comandar o English Team fez convocação que gerou ruídos no país, mas tem lastro vitorioso e apostas nas convicções para fazer bom Mundial 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Thomas Tuchel, treinador da seleção da Inglaterra — Foto: Richard Pelham / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 16/06/2026 - 02:10 Thomas Tuchel Revoluciona Seleção Inglesa com Convocações Ousadas Thomas Tuchel, primeiro alemão a comandar a seleção inglesa, desafia consensos ao fazer convocações ousadas, deixando de lado nomes famosos como Phil Foden e Harry Maguire. Com um histórico vitorioso, ele aposta em jogadores que atendem suas exigências táticas. A Inglaterra, em busca de encerrar um jejum de 60 anos desde seu último título mundial, estreia na Copa contra a Croácia, sob grande expectativa e análise crítica sobre suas decisões. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO É dessa vez que o futebol vai voltar para “casa”? Faz 30 anos que a caricata música “Three Lions” foi lançada em meio ao jejum de títulos relevantes que está completando seis décadas na Inglaterra, e as novas esperanças de ver o país inventor do esporte finalmente vencer a segunda Copa do Mundo estão depositadas em um time e um técnico que suscitaram polêmicas. Anunciado em outubro de 2024, Thomas Tuchel atraiu os holofotes para si quando fez uma convocação bem particular no mês passado. Primeiro alemão e terceiro estrangeiro à frente do English Team, o treinador de 52 anos deixou de lado nomes badalados como Cole Palmer, Phil Foden, Harry Maguire e Trent Alexander-Arnold. Todas estas peças vêm de temporadas decepcionantes ou não se encaixam tão bem em seu esquema. Assim, ele decidiu redobrar a aposta nas convicções e montar um time que lhe satisfaça independente da popularidade de peças como Dan Burn, John Stones e Jordan Henderson. A situação foi muito comparada à observada no Brasil, mas no sentido inverso, já que o italiano Carlo Ancelotti acabou cedendo a algumas escolhas em prol dos pedidos do grupo, principalmente a convocação de Neymar, longe de condição física ideal. A Inglaterra vive boa safra de jogadores, impulsionada pelo fenômeno global que se tornou a Premier League, mas ainda não deixou de bater na trave nas grandes competições. Sob o comando de Gareth Southgate, entre 2016 e 2024, a seleção reencontrou a cultura vencedora, mas parou na semifinal da Copa de 2018, e amargou os vices das Eurocopas de 2021 e 2024 — o primeiro destes em Wembley, contra a Itália. Morata e Foden disputam bola na final da Eurocopa — Foto: Kirill KUDRYAVTSEV / AFP Visando dar um próximo passo, a Federação Inglesa (FA) foi atrás de Tuchel, nome com conhecimento tático mais vasto e um lastro vitorioso no país por ter faturado a Champions League de 2021 com o Chelsea. — Até agora, o trabalho dele é bom, mas ele vai ser julgado pelos resultados nas próximas semanas. Um ponto positivo é que ele não está entrando na política normal de quem é treinador da Inglaterra. A nossa mídia sempre exige muito, e o Tuchel, talvez por ser um cara de fora, não está nem aí… de uma maneira que eu acho muito bom. Ele não faz as coisas só para aparecer, faz o que acha que é o certo — opina Jack Lang, repórter do The Athletic, que também mostra apoio às escolhas do alemão: — Acho que foi uma mensagem que o Tuchel mandou. Que ele não está escolhendo jogadores baseado na fama, na história, em quanto eles são amados pela imprensa e público. Está chamando o jogador que pode fazer o trabalho que ele exige nesse momento. Tuchel comandou a Inglaterra em 14 jogos até agora, com 11 vitórias, um empate e duas derrotas, o que resulta em bom aproveitamento de 81%. Ao mesmo tempo, o desempenho do time deixa a desejar ao olhar para o desempenho fora das Eliminatórias europeias. Quando exigido em amistosos contra Senegal e Japão, perdeu, além de ter empatado com o Uruguai. Nem as estrelas têm vaga cativa Hoje, às 17h, a estreia na Copa do Mundo acontece diante da Croácia, algoz na semifinal de 2018. A Inglaterra é favorita no grupo L, que também tem Gana e Panamá, mas ainda precisa se provar em campo. Com Tuchel, nem as estrelas chamadas, como é o caso de Jude Bellingham, tem um lugar garantido por conta de seu nome. “Ele tem de lutar pela vaga. Jude sabe que é um dos titulares, mas temos entre 14 e 15 jogadores que podem ser titulares. Essas funções podem mudar a qualquer momento”, afirmou o alemão à Sky Sports na semana passada. Tuchel é um treinador de gênio forte e já deixou isso claro principalmente em seu trabalho no Paris Saint-Germain, entre 2018 e 2020, logo após deixar o Borussia Dortmund. Mesmo sendo vice-campeão da Champions na última temporada na França, ele teve embate com várias estrelas do elenco à época, como Kylian Mbappé, Ángel Di María, Neymar e Thiago Silva. Já no Chelsea, o alemão chegou a ter um desentendimento público com Romelu Lukaku. No Bayern de Munique, as farpas foram trocadas com João Cancelo. Kane, Bellingham e Reece James em treino da Inglaterra — Foto: CHANDAN KHANNA / AFP Desta vez, tem a missão de levar à frente uma equipe que ainda com muitos craques, como Harry Kane, candidato à Bola de Ouro pela temporada estupenda que fez no Bayern, Declan Rice e Bukayo Saka, pilar do Arsenal campeão inglês e vice europeu, e Nico O’Reilly e Ollie Watkins, em grande fase em Manchester City e Aston Villa. Ser tachado como gênio ou louco pelas escolhas feitas na montagem da seleção que está na Copa do Mundo de 2026 é algo que Tuchel vai deixar para o ambiente externo. Fato é que a Inglaterra não está entre as principais favoritas como em outros momentos, mas chegará com uma ideia coletiva — mais forte que o individual — norteando seu desempenho. — Se ele é louco, é um bom louco. Porque o trabalho de técnico da Inglaterra é parecido com o do Brasil, quase de gerenciar ego e expectativa, mais do que escolher um time e a tática que vai dar certo — brinca Lang. — Eu nos colocaria talvez no top-5, e acho que tem chance porque todas as grandes equipes nessa Copa têm pontos fracos. Mas, para ganhar, é preciso que muitas coisas aconteçam, inclusive um pouco de sorte também, que a gente não tem tido há quase 60 anos.
Gênio ou louco? Tuchel desafio consensos na Inglaterra e tenta encerrar jejum de 60 anos na Copa do Mundo
Primeiro alemão a comandar o English Team fez convocação que gerou ruídos no país, mas tem lastro vitorioso e apostas nas convicções para fazer bom Mundial















