Fundo de Reconstrução e Desenvolvimento teria surgido a partir de uma proposta iraniana, que havia solicitado R$ 2 trilhões como compensação por danos de guerra a Washington 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Uma mulher passa por um painel exibindo a bandeira nacional do Irã na Praça Enghelab, em Teerã — Foto: AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 16/06/2026 - 18:16 EUA e Irã assinam acordo de US$ 300 bi para investimentos em Teerã Um memorando de entendimento entre EUA e Irã prevê um fundo privado de US$ 300 bilhões para investimentos em Teerã. Criado a partir de uma proposta iraniana, o fundo visa estimular setores como energia e logística. As negociações também abordarão o programa nuclear iraniano. A assinatura do acordo está marcada para ocorrer na Suíça. O Irã busca compensações por danos de guerra, enquanto EUA e Israel pressionam por restrições nucleares. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Um fundo privado de US$ 300 bilhões (R$ 1,5 trilhão), criado para estimular o investimento no Irã, está previsto no memorando de entendimento estabelecido entre Estados Unidos e a República Islâmica, disse à Reuters uma fonte com conhecimento direto do acordo sob condição de anonimato. Segundo a agência de notícias, o fundo não será criado nem entrará em operação até que "um acordo final e satisfatório seja concluído". A partir da formalização do memorando de entendimento, que Washington e Teerã se preparam para assinar na sexta-feira, haverá o objetivo de estruturar o processo nos próximos 60 dias. O acordo alcançado entre EUA e Irã também prevê o início, no prazo de 60 dias, de novas negociações para abordar temas mais delicados, como o programa nuclear do Irã e as sanções internacionais contra o país. A cerimônia de assinatura contará com as presenças do principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, e do vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, segundo quem Donald Trump também pode comparecer ao evento. A cerimônia ocorrerá em um resort de luxo na montanha Bürgenstock, próxima ao lago de Lucerna, na Suíça. O local "foi proposto pelos mediadores paquistaneses e cataris, assim como pelos Estados Unidos e pelo Irã", informou o Ministério das Relações Exteriores da Suíça à AFP. O novo fundo é um veículo de investimento privado, não um programa de reconstrução ou reparação, e não incluirá dinheiro ou subsídios governamentais, destacou a fonte da Reuters, acrescentando que empresas sediadas nos EUA, nos estados árabes do Golfo, na Ásia, na América do Sul e na África concordaram em se comprometer com o financiamento. Os investimentos prometidos abrangem energia, logística, manufatura e transporte, disse a fonte. No sábado, os Emirados Árabes Unidos afirmaram que as notícias veiculadas pela mídia sobre um suposto acordo para liberar bilhões de dólares em fundos congelados para o Irã são falsas. “O Ministério das Relações Exteriores afirmou que essas alegações são totalmente falsas e infundadas, ressaltando que nenhum fundo iraniano congelado foi liberado, transferido ou facilitado pelos Emirados Árabes Unidos”, declarou o governo à CNBC em um comunicado. A ideia para o Fundo de Reconstrução e Desenvolvimento surgiu a partir de uma proposta iraniana, que havia solicitado US$ 400 bilhões (R$ 2 trilhões) como compensação por danos de guerra aos EUA, revelou à Reuters uma fonte iraniana de alto escalão. Washington, no entanto, havia inicialmente descartado a possiblidade. O mecanismo prevê que os países da região do Oriente Médio contribuam de várias maneiras, acrescentou a fonte iraniana. Isso inclui a obtenção de empréstimos, o estabelecimento de linhas de crédito ou o financiamento direto da reconstrução de locais danificados na guerra, incluindo instalações como o complexo siderúrgico de Mobarakeh, refinarias, aeroportos e, de forma mais ampla, infraestrutura afetada pelo conflito. Diante das sanções americanas e internacionais, o Irã, que tem uma das maiores economias do Oriente Médio, não atraiu praticamente nenhum investimento estrangeiro direto significativo nas últimas quatro décadas. 'Documento muito poderoso' Após episódios de violência e declarações ameaçadoras que colocaram em risco a trégua iniciada em abril, as negociações, mediadas por Paquistão e Catar, resultaram no acordo anunciado na segunda-feira, batizado como um memorando de entendimento. — É um documento muito poderoso e quero que seja publicado. Provavelmente muito em breve — declarou Trump ao ser questionado sobre o conteúdo do acordo durante a reunião de cúpula do G7, realizada na França. Segundo uma autoridade americana, Trump, Vance e Ghalibaf já assinaram eletronicamente o documento. Vance afirmou à imprensa que não será destinado dinheiro dos contribuintes americanos ao Irã em decorrência do acordo, enquanto a imprensa iraniana noticiou que serão liberados 12 bilhões de dólares (R$ 60,9 bilhões) em ativos congelados. Estados Unidos e Israel pressionam o Irã para que se desfaça de suas reservas de urânio altamente enriquecido, supostamente sepultadas após ataques americanos no ano passado. O Irã defende seu direito de enriquecer urânio e reitera os fins pacíficos de seu programa nuclear. Em declarações ao canal NBC, Vance afirmou que inspetores americanos e da ONU poderão ter acesso ao Irã e ajudarão a República Islâmica "a destruir suas reservas altamente enriquecidas" de urânio. (Com AFP)