Veículo de investimento não contém recursos governamentais e fica separado de conversas sobre ativos iranianos congelados, diz fontes Refinaria de petróleo no Irã antes do início da guerra — Foto: Ali Mohammadi/Bloomberg Um fundo privado de US$ 300 bilhões projetado para impulsionar investimentos no Irã está previsto no acordo entre Estados Unidos e Irã, e mais da metade desse valor já foi comprometida por investidores, disse à Reuters uma fonte com conhecimento direto das negociações. Segundo a fonte, o fundo foi concebido para oferecer a ambas as partes um incentivo econômico para concluir um acordo definitivo. Ela falou sob condição de anonimato porque o plano ainda não foi anunciado oficialmente, enquanto Washington e Teerã se preparam para assinar o acordo na sexta-feira (19). Autoridades dos EUA e do Irã informaram no domingo que haviam chegado a um acordo para encerrar a guerra entre os dois países, iniciada quando forças americanas e israelenses atacaram o Irã em 28 de fevereiro, além de pôr fim ao bloqueio americano contra o país e reabrir o Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o fornecimento global de petróleo e gás. O novo fundo é um veículo privado de investimento, não um programa de reconstrução ou de reparações, e não contará com recursos públicos nem subsídios governamentais, afirmou a fonte. Empresas sediadas nos EUA, nos países árabes do Golfo, na Ásia, na América do Sul e na África já concordaram em aportar recursos financeiros. Os investimentos prometidos abrangem os setores de energia, logística, manufatura e transporte, segundo a fonte. Uma fonte iraniana de alto escalão disse à Reuters que Teerã havia solicitado inicialmente US$ 400 bilhões como compensação pelos danos causados pela guerra, mas Washington recusou a proposta. Foi então que surgiu a ideia do fundo, que deverá se chamar Fundo de Reconstrução e Desenvolvimento. O mecanismo prevê que países da região contribuam de diversas formas, segundo a fonte iraniana. Entre elas estão a garantia de empréstimos, a criação de linhas de crédito e o financiamento direto da reconstrução de instalações danificadas pela guerra, incluindo o complexo siderúrgico Mobarakeh Steel, refinarias, aeroportos e outras infraestruturas afetadas pelo conflito. Carente de investimentos O Irã, uma das maiores economias do Oriente Médio, praticamente não recebeu investimentos estrangeiros diretos significativos nas últimas quatro décadas, tendo sido excluído dos mercados globais de capitais por sucessivas rodadas de sanções impostas pelos EUA e pela comunidade internacional. Ponte nas proximidades de Razi, noroeste do Irã: ataques têm afetado infraestrutura produtiva iraniana para tornar país irrelevante para a economia global — Foto: Francisco Seco/AP O país possui a segunda maior reserva comprovada de gás natural do mundo e a quarta maior reserva comprovada de petróleo. Além disso, conta com uma população jovem e instruída de mais de 92 milhões de habitantes, uma base industrial diversificada e grande potencial inexplorado em setores como petroquímica, mineração, turismo e agricultura. A fonte afirmou que o fundo de investimentos é totalmente separado de uma negociação paralela sobre o levantamento das sanções americanas e a liberação de ativos soberanos iranianos congelados no exterior. Segundo ela, trata-se de mecanismos financeiros distintos, com objetivos e cronogramas diferentes. O fundo não será criado nem começará a operar até que um acordo final e satisfatório seja concluído. O memorando de entendimento, uma vez assinado, deverá estruturar o processo ao longo dos próximos 60 dias. “Ele só será criado quando o acordo final for assinado”, afirmou a fonte. “Durante esses 60 dias, os administradores do fundo trabalharão com os iranianos e os investidores para planejar e definir o escopo dos projetos.” O Ministério das Relações Exteriores do Irã e o Ministério das Relações Exteriores do Paquistão, que ajudou a mediar o acordo relativo ao fundo de investimentos, não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. Uma porta-voz da Casa Branca apontou para uma entrevista concedida na segunda (15) pelo vice-presidente J.D. Vance à CBS, na qual ele afirmou que o Irã poderá obter acesso a um fundo de reconstrução de US$ 300 bilhões apoiado por países do Golfo caso cumpra um acordo com Washington, incluindo: o desmantelamento de seu programa nuclear; a eliminação de seu estoque de material enriquecido; e a aceitação de um rigoroso regime de inspeção e fiscalização. A fonte não informou quem administrará o fundo nem como ele será gerido, observando que detalhes importantes ainda precisam ser definidos. Ela mencionou empresas da Coreia do Sul, Japão, Singapura, Malásia e EUA entre aquelas que já assumiram compromissos financeiros, mas recusou-se a fornecer uma lista completa. O memorando de 60 dias é apenas uma estrutura preliminar, e não um acordo definitivo. Espera-se que negociadores americanos e iranianos trabalhem simultaneamente em várias frentes durante esse período, incluindo questões nucleares, sanções e segurança regional.