A "porta giratória", termo que exprime a ideia de uma carreira profissional em que se intercalam períodos na iniciativa privada e na esfera pública, não é muito comum, de acordo com uma nota técnica produzida pelo Movimento Pessoas à Frente com o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e apoio da Fundação Lemann.

A maioria (60%) das pessoas que ocupam cargo de liderança na administração pública nunca foi do setor privado, segundo a pesquisa. Apenas 8% dos dirigentes tiveram contato com empresas privadas ou organizações da sociedade civil antes e depois de deixar o cargo no setor público.

Além disso, cerca de 1% saiu do setor público, passou pela iniciativa privada e depois voltou a cargos de direção no governo.

Eduardo Couto, coordenador do Movimento Pessoas à Frente, afirma que "as trajetórias [dos chefes] são muito mais endógenas ao setor público, com caminhos de transição bem identificados dentro do próprio Estado".

A organização elaborou três estudos que exploram a base de dados do Atlas do Estado Brasileiro, do Ipea, para produzir um raio-X das lideranças públicas. Há informações sobre perfil, trajetória e mobilidade entre cargos e entre União, estados e municípios.