Rafael Vasto carrega no próprio nome a ambição da Daki: ocupar um mercado cada vez mais extenso no varejo supermercadista digital brasileiro. Confrontar o status quo de um setor tão tradicional foi uma das maiores motivações do jovem executivo ao criar a Daki — e continua sendo. CEO antes dos 30 anos — tem hoje 35 —, ele vê com entusiasmo o oceano de oportunidades que a digitalização das compras do dia a dia traz: o setor de supermercados no Brasil fatura mais de R$ 1 trilhão por ano, mas tem apenas entre 3% e 5% das vendas realizadas pela internet. “Meu maior orgulho é provar que dá pra transformar um dos maiores e mais difíceis setores do mundo com energia e tecnologia. Estamos só começando”, avisa. A receita vem se provando acertada há cinco anos. A startup de supermercado digital e entregas ultrarrápidas foi fundada por Vasto e seus sócios, Alex Bretzner e Rodrigo Maroja, em 2021, no meio do caldo pandêmico que acelerou a digitalização dos serviços no Brasil e no mundo. Fazer as compras por um aplicativo e receber as mercadorias no endereço num prazo otimizado de 15 minutos era, além de vantagem sanitária em um momento difícil, uma inovação sem precedentes no mercado brasileiro. Para inovar no modelo de negócio, Vasto e os sócios se apoiaram em dois pontos: verticalização e tecnologia. Na Daki, nada se terceiriza. Tudo foi construído do zero: os centros de distribuição urbanos (dark stores), a logística integrada, o aplicativo digital, a plataforma nativa em inteligência artificial (IA), que fornece as bases para a operação a partir de dados e demanda local. A empresa virou unicórnio com menos de um ano de atuação, atingindo valor de mercado superior a US$ 1 bilhão, mas nem por isso se acomodou. Para Vasto, a atitude mais disruptiva da Daki foi criar um modelo com controle integral da cadeia. “Muita gente se voltou para o on-line, mas com intermediários. O que fizemos foi exatamente o contrário, com o controle da cadeia de ponta a ponta. Isso foi muito ambicioso”, diz. Tudo isso levou ao “momento incrível” que a startup vive hoje, nas palavras do CEO. Em 2025, a Daki atingiu receita próxima de R$ 1 bilhão, com um crescimento de 50% ao ano, atingiu o ponto de equilíbrio (breakeven) e acaba de fechar uma rodada de investimento minoritário, inferior a 5%, do iFood, o que deve ajudar a empresa em sua expansão geográfica. Hoje, a Daki está presente nas regiões metropolitanas de São Paulo e Belo Horizonte, com logística amparada por três grandes centros de distribuição e 40 dark stores, mas mira outras praças, que Vasto prefere não revelar ainda. A cultura organizacional que o executivo vem fortalecendo na Daki tem muito a ver com seu próprio estilo de liderança, que combina dois elementos-chave: velocidade com responsabilidade, além da autonomia das equipes. “Em um negócio em que a execução é tudo, valorizamos quem faz acontecer, quem bota a mão na massa”, diz. Seu jeito de liderar vem sendo moldado tanto pela formação acadêmica diversificada — em engenharia industrial pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), com mestrado e especializações em administração de empresas — quanto pela experiência profissional em setores heterogêneos — do financeiro à hotelaria. Foi na consultoria McKinsey que aprendeu uma das primeiras lições de negócios da vida: a de quebrar um problema em vários “subproblemas”. Com a OYO, rede asiática de hotéis que ajudou a implementar no Brasil, entendeu como operar sob pressão. Na Daki, foco, disciplina e consistência operacional são o que vai amparar a expansão da empresa. “Se a Daki está viva e crescendo dez vezes mais rapidamente que o varejo em geral, é porque nunca tratamos o negócio como um app de entrega, mas como varejo, infraestrutura e tecnologia.” Empresas em que trabalhou: McKinsey, OYO Brasil, Credit Suisse e AmbevIdade em que se tornou CEO: 29 anosMaior orgulho da carreira: provar que dá para transformar um dos maiores e mais difíceis setores do mundo com energia e tecnologia Pessoas que o inspiram: os pais, que sempre o inspiraram a ir para cima e o apoiaram em todas as decisões não óbviasHobby: DJing, cozinhar e praticar esportes ao ar livre
Executivo de Valor - Rafael Vasto, da Daki: transformação com energia e tecnologia
Para CEO, a atitude mais disruptiva da Daki foi criar um modelo com controle integral da cadeia







