* Por Rafael Caribé
Em novembro de 2024, a Agilize viveu um marco: fechou uma rodada de R$60 milhões com a AXA. Essa foi uma das grandes notícias da nossa história, ao mesmo tempo que nos mostrou o início de um dos períodos mais desafiadores da minha carreira como CEO. O que aprendi desde então é que o capital traz velocidade, mas a velocidade sem clareza é o caminho mais curto para o caos.
De um dia para o outro, as perguntas mudaram de natureza. Antes eram: “como sobrevivemos ao mês?”. Depois da captação, virou: “como escalamos sem perder o que nos trouxe até aqui?”. São perguntas diferentes que exigem lideranças diferentes. Isto é, o maior risco em uma startup de alto crescimento não é a falta de dinheiro, mas a liderança que confunde escala com progresso.
À medida que uma empresa acelera, o instinto natural dos fundadores é “virar para dentro”, focando em métricas como LTV (Lifetime Value), churn e headcount. No entanto, a liderança em fase de escala exige manter o time conectado à razão do crescimento: a dor real do cliente e a capacidade de ouvi-lo, entender do que ele precisa e criar novos produtos que atendam a essas demandas, como nós fizemos.
De acordo com minha experiência, digo que um ponto importantíssimo que sustenta o crescimento é a liderança ser flexível. Não existe um estilo único: times tecnicamente seniores exigem que o líder ajude o grupo a “jogar junto”, enquanto times juniores demandam foco em desenvolvimento e maior controle sobre as entregas. A liderança deve ser a guardiã de dois pilares fundamentais: garantir o alcance dos objetivos e cuidar das pessoas.







