A professora Tatiana (nome fictício) esperou com certa ansiedade seu aniversário de 62 anos. Em abril, ao completar a idade mínima para pedir a aposentadoria do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) sentia-se mais segura para não ter o benefício negado, como já havia ocorrido há cerca de dois anos, mesmo com mais de 30 anos de contribuição —mulheres precisam de ao menos 15 para se aposentar.

A solicitação, no entanto, só foi concluída no início de junho, quando conseguiu fazer o pedido pelo site Meu INSS, plataforma digital da Previdência que reúne mais de cem serviços e registra cerca de 105 milhões de acessos por mês, mas que, segundo segurados, tem apresentado falhas frequentes.

Problemas como quedas do sistema e linguagem pouco acessível podem afetar a fila de benefícios, um dos principais desafios do governo Lula. Muitos segurados enfrentam negativas automáticas, já que metade das solicitações é analisada de forma automatizada.

Auditoria realizada pelo próprio INSS no primeiro semestre de 2025 à qual a Folha teve acesso mostra que 280.231 dos 543.419 pedidos analisados eletronicamente foram negados —o equivalente a 51,57%.

Em decisão na última semana, o TCU (Tribunal de Contas da União) apontou falhas nesse modelo de concessão automática e determinou que INSS, Ministério da Previdência Social e Dataprev (Empresa de Tecnologia da Previdência) promovam mudanças em até 180 dias.