O próximo presidente da República poderá influenciar a composição de um quinto dos votos nos tribunais superiores e no STF (Supremo Tribunal Federal). O maior impacto será justamente na mais alta corte do país, onde o eleito em outubro poderá indicar 36% de seus integrantes, em escolha que não precisa obedecer a listas pré-elaboradas pelo próprio Judiciário.

Do total de 99 ministros titulares e substitutos, 21 vagas estão ou serão abertas até 5 de janeiro de 2031, mostra levantamento da Folha. As indicações de quem for eleito em outubro para a Presidência podem alterar a correlação de forças nesses tribunais, alinhando-os mais à direita ou à esquerda no espectro político por anos.

O número considera as 4 cadeiras que já estão desocupadas e ainda não foram preenchidas pelo presidente Lula e outras 13 que ficarão vagas até 2030 com a aposentadoria compulsória dos ministros aos 75 anos de idade. Há também quatro no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), onde a permanência é por mandatos de dois anos.

Novos espaços podem surgir com eventuais renúncias antecipadas, como fez Luís Roberto Barroso no STF, falecimentos, impeachments e denúncias que os forcem a sair antes. Um dos pressionados é o ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Marco Buzzi, afastado desde fevereiro sob a acusação de importunar sexualmente duas pessoas, o que ele nega.