O ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União (TCU), confirmou a intenção de antecipar para dezembro deste ano sua aposentadoria, prevista originalmente para outubro de 2027. Com a decisão, caberá ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), conduzir a escolha do novo integrante da Corte de contas para uma das vagas mais disputadas de Brasília. Ao Valor, Nardes afirmou que a possibilidade de deixar o tribunal antes do prazo já vinha sendo avaliada há algum tempo. Ele pretende dedicar os primeiros meses após a aposentadoria ao descanso e, posteriormente, retomar projetos desenvolvidos ao longo de sua trajetória no TCU, especialmente iniciativas voltadas ao fortalecimento da governança na administração pública. O ministro também não fecha as portas para eventuais convites da iniciativa privada. A movimentação tem potencial para desencadear uma nova disputa política na Câmara. Das nove cadeiras do TCU, seis são preenchidas por indicação do Congresso Nacional — três da Câmara e três do Senado — e a vaga ocupada por Nardes pertence à cota dos deputados. A escolha costuma mobilizar lideranças partidárias de diferentes correntes políticas devido à influência exercida pelo tribunal sobre a fiscalização das contas públicas e dos atos da administração federal. Embora ainda não existam candidaturas formalmente colocadas para a sucessão de Nardes, a disputa neste ano pela vaga aberta com a aposentadoria do ministro Aroldo Cedraz oferece pistas sobre os parlamentares que podem voltar ao páreo. Na ocasião, a Câmara escolheu o deputado Odair Cunha (PT-MG) para integrar o TCU após uma eleição que mobilizou o governo, o Centrão e as principais lideranças da Casa. Odair saiu vitorioso com amplo apoio político — incluindo de Motta —, mas enfrentou uma concorrência numerosa. Também disputaram os deputados Elmar Nascimento (União-BA), Danilo Forte (União-CE), Hugo Leal (PSD-RJ) e Gilson Daniel (Podemos-ES). Os nomes de Soraya Santos (PL-RJ) e Adriana Ventura (Novo-SP) chegaram a ser apresentados, mas acabaram retirados antes da votação. Nos bastidores, a avaliação é que parte desses parlamentares poderá voltar a ser lembrada para a vaga de Nardes, especialmente aqueles que já construíram articulações em torno de uma candidatura ao tribunal. A sucessão deverá ocorrer em ambiente político distinto daquele que marcou a escolha de Odair Cunha. Se a aposentadoria for formalizada conforme o planejado, a condução do processo ficará integralmente sob responsabilidade de Motta. Caso Nardes permanecesse no cargo até a aposentadoria compulsória, a escolha poderia ser conduzida por outro presidente da Câmara, já que a reeleição de Motta não está assegurada. Indicado ao TCU pela Câmara em 2005, Nardes integra o grupo de ministros mais experientes da Corte. Ao longo de duas décadas no tribunal, participou de julgamentos relevantes para a administração pública federal e presidiu o órgão entre 2013 e 2014. Ele foi o relator das contas do primeiro ano do governo da ex-presidente Dilma Rousseff, cuja rejeição abriu as portas para o processo de impeachment pelas chamadas pedaladas fiscais.
Ministro do TCU antecipa aposentadoria e abre nova disputa entre deputados
Das nove cadeiras do TCU, seis são preenchidas por indicação do Congresso — três da Câmara e três do Senado — e a vaga ocupada por Augusto Nardes pertence à cota dos deputados













