Elon Musk agora é o primeiro trilionário do planeta Terra. E tudo que ele precisou para isso foi abrir mão de Marte –em essência a decisão que o empurrou a essa marca histórica (e francamente apavorante) acaba por ejetar a própria razão de ser de sua companhia mais revolucionária.

Podemos discutir o quanto era puro marketing, mas, desde sempre, Musk declarou que o objetivo final da SpaceX, sua empresa de foguetes, era tornar a humanidade uma civilização multiplanetária, com o estabelecimento de uma colônia no planeta vermelho.

A própria arquitetura do Starship, superfoguete que agora se torna o principal motor do crescimento dos negócios da empresa, foi pensada para isso, com o uso de metano como propelente –molécula de fácil obtenção em Marte, combinando o hidrogênio do gelo de água que existe sob a superfície com o carbono do dióxido de carbono que compõe a atmosfera.

Também era por isso, segundo Musk, que a SpaceX jamais cogitou abrir seu capital. A proposta de investir bilhões de dólares numa colônia marciana não oferece retorno do investimento, e seria difícil justificar esses gastos aos demais acionistas só porque o majoritário quer fundar uma cidade marciana.

Isso agora mudou. A SpaceX entrou oficialmente no mercado aberto de ações na Nasdaq e já teve uma subida meteórica de 20% na largada, tornando Musk ainda mais impensavelmente rico. O que é menos visível, muitos dos funcionários do alto escalão da empresa também enriqueceram nessa, alguns potencialmente bilionários, por conta de um programa interno que os recompensava com participação acionária.