As crianças dos anos 2030 talvez não se espantem de ver um céu de muitas luas quando olharem para o poente ou para o nascente. Coletores de energia solar e radiadores de calor de supercomputadores de inteligência artificial, os data centers orbitais, brilhariam como a Lua, mas com um quarto do tamanho.
Parece paisagem de contos de Arthur C. Clarke dos anos 1960, o autor de ficção científica que então imaginou também uma rede mundial de computadores que teria tantas conexões que se tornaria um cérebro com vontade própria.
Discute-se agora se está próxima da realidade uma IA capaz de ditar os rumos do próprio aprendizado e até de se recusar a ser desligada, como o computador HAL, que alucina de modo paranoico em "2001: Uma Odisseia no Espaço", de 1968.
A descrição da paisagem celeste do futuro poderia ainda estar na boca de um replicante de "Blade Runner" (1982). Mas é de Philip Johnston, presidente de uma empresa que já colocou um data center miúdo no espaço.
Essas comparações do avanço tecnológico com antigas ficções científicas são um clichê velho. A novidade da semana que passou é a crença financeira dos donos do dinheiro grosso do mundo, para quem a ficção científica de Elon Musk, a SpaceX, ora vale mais de US$ 2 trilhões. O empresário quer colocar data centers no espaço em 2028.














