Pesquisa feita em março pelo Datafolha apontou que, para 19% do eleitorado brasileiro, o maior problema do país é a segurança pública —só abaixo da saúde (21%).

Historicamente, esse setor nunca esteve entre as prioridades da esquerda, a despeito de muitos planos lançados. Já a direita aproveita esse vácuo com propostas, em geral, punitivistas e de grande apelo popular, mas baseadas em ideologia e carentes de respaldo em evidências.

O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ensaiou um movimento com uma proposta de emenda constitucional, a PEC da Segurança, aprovada em março na Câmara e enviada ao Senado.

O texto tem pontos relevantes, como a previsão de um regime jurídico mais rigoroso para organizações criminosas e ampliação da atuação da Polícia Federal nesses casos. Também inclui na Carta o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), que foi criado por lei em 2018 e até hoje não produziu resultados efetivos.

Forças políticas conservadoras no Congresso que advogam políticas linha-dura avançam com medidas populistas, como a redução da maioridade penal, objeto de PEC recém-aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara.