A sensação de insegurança é uma das maiores preocupações dos brasileiros, e isso não é novidade. Mas o que a população realmente defende para enfrentar a violência? Discursos duros, promessas de truculência e soluções simplistas dominam o debate público, especialmente em ano eleitoral, mas será que representam o que a maioria pensa?

Uma nova pesquisa encomendada pelo Instituto Sou da Paz revela um retrato mais complexo e promissor. Os dados mostram que existe uma maioria silenciosa que apoia políticas baseadas em inteligência, preparo das polícias, controle de armas e respeito à lei, e que não se identifica com o punitivismo radical que frequentemente ocupa as falas dos políticos e ganham manchetes. De acordo com a pesquisa, o medo é real, mas as soluções preferidas não são as mais extremas.

O estudo confirma que o medo da violência atravessa o país e afeta a vida cotidiana de forma intensa: 57% da população mudou hábitos por conta da insegurança, como evitar sair à noite, alterar trajetos e "ficar mais em casa". No entanto, quando confrontadas com diferentes propostas de política de segurança, as posições da maioria se alinham a um caminho pragmático e constitucional.

Apenas 20% da população concorda com a frase "bandido bom é bandido morto". A maioria (73%) acredita que os criminosos devem ser julgados e presos pelos seus crimes. A ideia de que o aumento de penas é a principal solução também não encontra adesão majoritária: 55% defendem que o país precisa aplicar as leis já existentes a todos os criminosos, enquanto 39% acreditam na necessidade de aumento das penas.