Ao caminhar pelo centro de São Paulo, entre prédios históricos e o fluxo constante da rua 15 de Novembro, um painel digital chama atenção ao atualizar números em tempo real. O chamado Prisômetro, parte do programa Smart Sampa, exibe dados de segurança pública —prisões, capturas, entre outros. A cena se integra à paisagem urbana e transmite uma mensagem clara: a segurança pública passa a ser apresentada como números que se acumulam, como evidência de eficiência.
A lógica parece simples: transformar vigilância em sensação de controle. Em uma cidade coberta por milhares de câmeras, o monitoramento deixa de ser apenas ferramenta e passa a construir uma narrativa.
O problema é que essa narrativa seleciona o que pode ser visto e, assim, produz uma realidade parcial. Os números de produtividade ocupam o centro, enquanto outras dimensões permanecem invisíveis. O que deveria garantir transparência torna-se objeto de disputa.
As câmeras do Smart Sampa, espalhadas pela cidade, em uma de suas funções, comunicam-se diretamente com a polícia para ações imediatas.
Já as do Programa Olho Vivo, instaladas em uniformes e viaturas policiais, existem para assegurar a adequada atividade policial, mas muitas vezes são interrompidas ou manipuladas em momentos decisivos —mesmo diante da decisão do STF (Suspensão Liminar 1.696), que determinou gravação ininterrupta.










