A chegada de Carlo Ancelotti à seleção brasileira gerou uma onda de otimismo difícil de resistir. Cinco títulos de Champions League, passagens vitoriosas por Milan, Real Madrid, Bayern e Chelsea. Mas técnico realmente influencia no resultado de um time?

A resposta da ciência é pouco animadora. Diversos estudos mostram que o importante mesmo é a qualidade dos jogadores.

Exemplo: o economista e professor de gestão do esporte na Universidade de Michigan Stefan Szymanski, junto com o jornalista Simon Kuper, analisou 10,2 mil jogos das duas principais divisões da Inglaterra entre 2011 e 2021. Simplificando a metodologia, eles avaliaram se os treinadores conseguiram tirar um desempenho melhor do que o esperado das suas equipes, dada a valorização (preço) desses elencos. Apenas 10% dos técnicos tiveram um efeito positivo estatisticamente significante.

O resultado é condizente com dezenas de outros estudos. Pesquisadores das universidades de Liverpool, Maynooth e Lancaster e do College London viram que a troca de treinador não trouxe melhora significativa na pontuação das equipes nos campeonatos de Alemanha, França, Espanha e Itália.

Pode parecer estranha essa constatação dada a grande volatilidade de técnicos no futebol brasileiro. O que os pesquisadores afirmam é que um treinador é demitido em geral em uma má fase aguda. A tendência é que um time nessa situação melhore em algum momento, com um novo ou com o mesmo treinador.