Em um ano, nós aprendemos a língua dele. Sobrancelha subindo e descendo o tempo todo: atenção. Sobrancelha travada no alto: preocupação. Franzidinha na sobrancelha: aprovação. Baixando a sobrancelha: satisfação. Não que ele ame o silêncio. Mandar tantos recados com um gesto tão simples é só mais um jeito de conversar. O técnico da Seleção Brasileira acredita no poder das palavras, e os jogadores acreditam no que ele diz. "Com o Mister, eu tento conversar bastante porque, cara, eu desfruto muito e eu aprendo muito com ele”, diz Casemiro, meio-campo da Seleção. O professor ensina que conversas na hora certa, e no tom certo, valem muito mais. Carlo Ancelotti não veio ao Brasil para gritar. Chegou sabendo que a torcida faz isso por ele. Empolgação, fé, confiança: tudo isso o brasileiro tem de sobra e, modéstia à parte, não precisa aprender com ninguém. Trazer Carlo Ancelotti significa encontrar tranquilidade. No banco, raramente eleva a voz. E quando fala mais alto é para pedir calma. “Ele é da resenha, mas na hora que está dentro de campo, ele é sério para caramba”, afirma Bruno Guimarães. Não grita porque está ocupado, entendendo o jogo, o cérebro trabalhando um passo à frente do que os nossos olhos estão vendo. “Ele é um ser humano incrível, não é vencedor por acaso. A gente não vai assistir os jogos -seja in loco ou em vídeo - pelo mero prazer de assistir o futebol. Sempre tem um olho técnico, físico, clínico”, diz Rodrigo Caetano, coordenador-executivo das Seleções Masculinas. São 30 anos de experiência de quem já começou sabendo muito. Meio-campo do Roma e do Milan, regia o time, um treinador com a bola nos pés. “É um cara que realmente está se doando ao máximo para trazer essa Copa com a gente”, diz Bruno Guimarães. É o título que falta. Na Copa de 94, era auxiliar técnico da Itália. Será que foi naquele dia que sentiu vontade de comandar o Brasil? Treinando clubes, ganhou tudo: seis conquistas nas cinco principais ligas da Europa e mais cinco troféus da Liga dos Campeões. “Ele é um cara que está há mais de 30 anos no futebol. Então, tudo que acontecer para ele - apesar de ser a primeira como treinador, em uma Copa do Mundo -, acho que no futebol já não é nada surpresa para ele”, diz Casemiro. Estudar português foi um gesto de cortesia. Mas talvez mais importante do que falar, foi ter conseguido entender o Brasil, compreender a desconfiança de muitos com o primeiro técnico estrangeiro, sem nunca levar para o lado pessoal. Até porque Ancelotti já tinha dado provas de amor ao futebol brasileiro. No Real Madrid, foi o maior incentivador da arte do improviso, do drible, da criatividade, do bailado de Vini Jr., com a bola ou sem ela. O seríssimo treinador é um grande defensor da alegria. Ou seja: na Seleção Brasileira, o técnico europeu não veio trazer novidades estrangeiras. Veio só relembrar o nosso jeito de jogar. Na bancada do JN Carlo Ancelotti, técnico da Seleção Brasileira, é entrevistado no Jornal Nacional — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução "A Seleção chega para a Copa muito bem. Estamos muito animados". Ancelotti também falou sobre as seleções que considera favoritas para vencer a Copa do Mundo de 2026: "França,. Brasil, obviamente. Argentina, que ganhou. Espanha, Portugal, Inglaterra... Muitas equipes. Mas ninguém é perfeito". Assista a íntegra da entrevista de Carlo Ancelotti no Jornal Nacional no vídeo abaixo. Assista a íntegra da entrevista de Ancelotti no Jornal Nacional depois da convocação para a Copa do Mundo LEIA TAMBÉM
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Treinando clubes, ganhou tudo: 6 conquistas nas 5 ligas principais da Europa e mais 5 troféus da Liga dos Campeões.














