0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Economista projeta escalada de inflação em 12 meses: taxa pode deve se aproximar dos 6% ao fim do ano, diz André Braz — Foto: Alexandre Cassiano RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 12/06/2026 - 10:35 Inflação no Brasil: IPCA pode ultrapassar 5% em agosto, diz FGV A inflação no Brasil, medida pelo IPCA, deve atingir seu pico em agosto, ultrapassando 5%, alerta André Braz, economista da FGV Ibre. Embora a taxa anual já tenha superado a meta de 4,5%, chegando a 4,72%, espera-se que continue a subir, impulsionada por comparações com índices negativos do ano passado. Após agosto, a inflação pode desacelerar, mas incertezas econômicas globais dificultam previsões precisas, desafiando o Banco Central. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Apesar da inflação ter cedido em maio, foi de 0,58% frente aos 0,67% apurados em abril, a taxa acelerou em 12 meses e ultrapassou o teto da meta, de 4,5%, ao chegar a 4,72% e isso deve continuar acontecendo até ao menos agosto, quando deve romper a barreira dos 5%, diz o economista André Braz, coordenador dos Índices de Preços do FGV Ibre. Ele destaca que em maio, junho e julho do ano passado as taxas foram de 0,26%, 0,24% e 0,26%, números que certamente não se repetirão este ano. Em agosto, o IPCA registrou variação negativa de 0,11% e por isso a expectativa de que este ano o mês registre a maior taxa em 12 meses, explica Braz: - Em agosto, deve ser ápice da aceleração da taxa em 12 meses, porque sai um número negativo, os -0,11% de agosto de 2025, e entra um número que deve ser bem maior. Ou seja, até agosto, pelo menos, a taxa em 12 meses deve seguir avançando e facilmente vai romper o teto 5%. Depois de agosto, a inflação pode arrefecer. Mas há muitas variáveis que podem mudar o cenário do segundo semestre. Entre eles, se as novas tarifas do governo Donald Trump serão ou não implementadas, quão forte será o El Niño e ainda qual será o destino da guerra entre o Irã e os Estados Unidos. Tudo isso vai determinar o futuro dessa inflação, diz o economista, acrescentando que essa é dificuldade de fazer uma previsão para a taxa ao fim deste ano. De qualquer forma, o Banco Central tem a cada dia uma missão mais difícil pela frente, pontua Braz. - Nesse ambiente de incerteza é muito difícil a gente fazer uma previsão a respeito, mas com o que temos em mãos agora o cenário aponta para uma inflação, se aproximando cada vez mais de 6% no fim de 2026, é o dobro da meta de inflação, que é 3% e isso vai oferecer uma missão bem desafiadora para o Banco Central. A política monetária é menos eficaz nesse cenário, porque ela trabalha mais em cima da demanda, fazendo as pessoas renunciarem o consumo presente em prol no futuro em troca de juros mais altos. Que como é que você vai trocar arroz e feijão? Como é que você vai, enfim, deixar de consumir serviços? Então o Banco Central tem uma tarefa difícil, que é ancorar as expectativas num momento de grande incerteza.