Os preços de alimentação e bebidas subiram 1,33% em maio, a maior alta para o mês desde 2015 (1,37%), pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ao mesmo tempo, o grupo respondeu por 0,29 ponto percentual da alta de 0,58% do IPCA em maio, ou metade do aumento. Efeitos da guerra no Oriente Médio, seja nos fretes ou nos fertilizantes, e restrição de oferta de oferta por causa da época, foram fatores citados pelo gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves, para explicar essa alta dos preços dos alimentos. “O que se mostra claro é o efeito dos fretes nos preços de alimentos e possivelmente também de fertilizantes, que muitas vezes é importado. Também existem questões de oferta.” Nesta época do ano, citou, há efeitos do frio no amadurecimento do tomate e do fim da “safra das águas e início da seca” na oferta de batata-inglesa. O preço desses itens subiu 20,62% e 44,69%, respectivamente. No caso da alimentação no domicílio, os preços subiram 1,65% em maio, a maior para o mês em quase 20 anos, desde 2008 (2,27%). Outra forma de olhar para a influência da alimentação e bebidas na inflação é o fato de que, se o grupo fosse excluído do cálculo, o IPCA teria subido 0,37% e não 0,58%. Para chegar a esse resultado, o IPCA exclui o grupo e faz a reponderação dos demais grupos. — Foto: Hermes de Paula/Agência O Globo Habitação Os preços do grupo habitação subiram 1,22% em maio pelo IPCA, a taxa mais intensa para o mês desde 2021 (1,78%). O grupo foi o segundo maior impacto no índice de maio, atrás de alimentação e bebidas. Habitação respondeu por 0,18 ponto percentual da taxa do IPCA do período, ou 31,03% da alta. Esse movimento reflete o aumento de 3,67% da energia elétrica, que foi o principal impacto individual do IPCA do mês. A influência foi de 0,15 ponto percentual, ou um quarto (25,86%) da alta. “Maio foi mês de bandeira amarela e também reajustes em seis locais pesquisados pelo IBGE”, disse o gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves. Na bandeira tarifária amarela, há acréscimo na conta de luz de R$ 1,885 a cada 100 kwh consumidos. Os reajustes que influenciaram os preços de energia em maio se deram em Aracaju, Fortaleza, Salvadores, Campo Grande, Recife e Belo Horizonte. Em junho, já foi anunciado que será mantida a bandeira tarifária amarela.