Metrobus de Leça da Palmeira deve ir buscar 60% das validações ao Metro do PortoO único troço em que o metrobus de Leça da Palmeira vai partilhar a via com carros é, talvez, um dos mais problemáticos. Para passar o rio Leça, junto ao Porto de Leixões, a nova linha de transportes vai usar parte da A28. O problema é que aquela parte da auto-estrada do Litoral Norte, que liga Porto e Caminha, já tem considerável volume de tráfego e congestionamento pontual. Sem uma via dedicada, o Bus Rapid Transit (BRT), também conhecido como metrobus, corre o risco de ficar parado entre carros e perder a sua vantagem competitiva.O município de Matosinhos já explicou que, ao longo dos 9,75 quilómetros desta nova linha de metrobus, haverá vários tipos de perfil (via única bidireccional e via dupla). Na grande maioria do trajecto, os autocarros a bateria terão canal dedicado, mas, em “cerca de um quilómetro”, a via será partilhada.“Apenas haverá trânsito banalizado na área de jurisdição da Infra-Estruturas de Portugal (IP) no acesso e circulação no tabuleiro da ponte da A28 sobre o rio Leça”, refere a autarquia liderada por Luísa Salgueiro (PS), em resposta às perguntas do PÚBLICO.É a própria câmara de Matosinhos que reconhece que poderá haver “constrangimentos focalizados na hora de ponta da manhã, nos dias úteis e no sentido Norte-Sul” provocados pelo excesso de tráfego. No entanto, acredita que, “ainda assim, a mais-valia da ligação ao metro em Senhor de Matosinhos e Mercado de Matosinhos supera este constrangimento”.Lembra também que, já hoje, o serviço público de transporte rodoviário regular (nomeadamente as linhas da STCP e da UNIR) atravessa o Rio Leça pela mesma ponte da A28 que servirá o BRT.Ainda assim, a câmara de Matosinhos refere que “produziu um desenho preliminar” para criar uma via dedicada naquele troço de auto-estrada e reuniu-se com a IP. O resultado? “Não foi acolhida a proposta”, garante a autarquia.A IP tem outra versão. Contactada pelo PÚBLICO, a entidade assegura que “não se pronunciou sobre a proposta de criação de uma via dedicada para transporte público de alta capacidade na A28, pois não dispõe de informação detalhada sobre a mesma”.Acrescenta que, até à data, “apenas se pronunciou sobre o Estudo Prévio apresentado em Novembro de 2024, no qual identificou a necessidade de um Estudo de Tráfego de forma a garantir que a futura linha não compromete o escoamento do tráfego nem o nível de serviço da A28”.A IP refere ainda que só recebeu o projecto completo do metrobus de Matosinhos (estudo de tráfego incluído) muito recentemente, no dia 1 de Junho de 2026. O documento “encontra-se actualmente em análise, não existindo ainda uma posição final sobre a solução”.Outra das incógnitas desta nova linha de transporte, que custa 23 milhões de euros e conta com o financiamento do Fundo de Transição Justa, é quem vai fazer circular os autocarros. Apesar de já ter indiciado que seria a STCP a pegar na operação (à semelhança do que aconteceu no metrobus da Boavista), o assunto ainda não está fechado.Questionada sobre o operador, o município de Matosinhos refere que esse “processo de decisão ainda não está concluído” e acrescenta que que solicitou a “colaboração da STCP [da qual a câmara é accionista] na componente do material circulante, face ao conhecimento e experiência que os seus técnicos possuem de processos anteriores”. Mas refere que “não existiram negociações sobre a fase de exploração”.
Matosinhos diz que via só para BRT na A28 foi rejeitada, IP diz que “está em análise”
Município reconhece que poderá haver “constrangimentos” na ponte sobre o rio Leça por causa do volume de tráfego, onde a circulação será partilhada com carros.







