Parceria entre países do Sul global se apresenta como alternativa viável para acelerar implementação de iniciativas sustentáveis 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Painelistas do III Fórum de Finanças Climáticas e de Natureza, parte da Rio Nature & Climate Week — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 11/06/2026 - 21:43 Integração da Bioeconomia no Desenvolvimento Nacional é Destaque na Rio Nature & Climate Week Especialistas discutem na Rio Nature & Climate Week a importância de integrar a bioeconomia no plano de desenvolvimento nacional para desbloquear financiamentos. Parcerias entre países do Sul global são vistas como chave para acelerar iniciativas sustentáveis. A COP30 destacou a necessidade de transição justa dos combustíveis fósseis e combate ao desmatamento até 2030. A proteção dos territórios indígenas é essencial para avanços. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Na última semana, a Rio Nature & Climate Week e o III Fórum de Finanças Climáticas e de Natureza debateram os desafios e oportunidades da agenda climática para promover o desbloqueio financeiro de iniciativas que busquem conter os efeitos das mudanças climáticas no planeta no contexto pós-COP30 (30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas), realizada em Belém, no Pará. Um elemento central desse processo, ressaltado pelos painelistas, é a implementação. Os especialistas acreditam que as ferramentas para combater os efeitos das mudanças climáticas já foram criadas e apresentadas pela ciência, mas precisam de instrumentos — entre arcabouços legais, organizacionais e financeiros — para serem finalmente executadas de forma eficiente. A crise energética provocada pela guerra do Irã e o consequente fechamento do Estreito de Ormuz — via marítima por onde passava 20% do petróleo e gás natural global antes do conflito — foi citada entre os convidados como exemplo da importância do desenvolvimento de alternativas ao combustível fóssil para manutenção da segurança energética de um país. — Segurança energética é você não depender do que está acontecendo atualmente. (…) A ideia do Mapa do Caminho é mostrar as várias dimensões dessa questão que não é mais apenas energética. É uma decisão econômica, de viabilidade de um projeto de país — salientou André Corrêa do Lago, presidente da COP30. O líder da SB (Negócios Sustentáveis) COP30, Ricardo Mussa, apontou que a atratividade de investimentos para a preservação ambiental no Brasil depende de uma promoção mais positiva do país, já que, segundo ele, investidores tendem a achar que os riscos no Brasil são maiores do que a realidade. Diante desse cenário, algumas propostas apresentadas para atrair mais interesse do capital privado no mercado verde brasileiro passam pela desfragmentação da economia no território amazônico e pela construção de estruturas financeiras para mobilizar recursos em uma direção clara. Nesse processo, as parcerias entre países do Sul global surgem como alternativas promissoras para alavancar iniciativas de preservação em países em desenvolvimento como o Brasil, por partilharem e conhecerem as dores e soluções de problemas semelhantes. Para Rogério Studart, professor do Colégio Brasileiro de Altos Estudos (CBAE-UFRJ), o país “não precisa de dólares, mas de parcerias tecnológicas e de conhecimento”. O vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e presidente do Instituto Amazônia+21, Marcelo Thomé, defendeu que o mundo empresarial “já superou a bobagem que é relacionar bioeconomia com ativismo e agenda ideológica”, mas ainda se faz necessário, por parte das autoridades, “romper com a lógica de pequenos projetos de filantropia de baixo impacto com nenhum cadeamento produtivo” e desenvolver uma agenda de preservação da Amazônia e de outros biomas brasileiros a partir da perspectiva do quanto essas ações são fundamentais para o próprio desenvolvimento econômico do país. — Por que estamos transformando a nossa economia num retrato chato, entediante, básico, sem valor agregado? Nós temos o país mais diverso do mundo em ativos naturais e em seres humanos. Se refletirmos isso na nossa economia, vamos dar o exemplo que o mundo está precisando ver — destacou Patrícia Ellen, co-fundadora da AYA Earth Partners. Durante os encontros, o presidente da COP30, o diplomata André Corrêa do Lago, e a CEO da COP30, Ana Toni, apresentaram e discutiram ao lado de autoridades, especialistas, empresários e investidores o Mapa do Caminho pela Transição para o Afastamento dos Combustíveis Fósseis de Forma Justa, Ordenada e Equitativa e o Mapa do Caminho pelo Fim e pela Reversão do Desmatamento e da Degradação Florestal até 2030. Os documentos apresentam artifícios e planos para acelerar o processo de implementação de políticas e economias mais sustentáveis. Entre os painelistas, a deputada federal Sonia Guajajara destacou ainda que um dos principais avanços da COP30 foi a união das propostas do conhecimento tradicional com a proteção dos territórios pelos povos indígenas. E ressaltou também que é essencial que haja atenção e cuidado da sociedade para que crises globais, como guerras, não afetem significativamente o protagonismo da discussão ambiental no debate público. — Se continuar a ser mais rentável matar e desmatar a proteger as florestas não temos mais solução para o nosso planeta — afirmou.