Epidemiologista foi eleito uma das pessoas mais influentes por jornal americano diante de pesquisas sobre alimentos sintéticos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O pesquisador Carlos Monteiro recebe o Prêmio Faz Diferença 2025 categoria Ciência e Saúde da editora de Saúde do GLOBO Adriana Dias Lopes e do colunista Bernardo Mello Franco — Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo O professor e pesquisador da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) Carlos Monteiro recebeu, nesta quinta-feira, o Prêmio Faz Diferença 2025 na categoria Ciência e Saúde. O pesquisador foi uma das primeiras vozes, ainda em 2009, a estabelecer o conceito dos ultraprocessados - alimentos que passam por diversas etapas industriais - e alertar sobre os riscos de uma dieta baseada nesse tipo de alimento. A premiação aconteceu na Casa Firjan, no Rio. Ao receber o prêmio, Monteiro exaltou a independência dos pesquisadores das universidades públicas brasileiras. — Sou fã da imprensa brasileira. Queria agradecer ao GLOBO e às pessoas que julgaram que nosso trabalho faz diferença. Aos meus colegas do Nupens, onde o conceito (de ultraprocessados) foi formado. Agradeço a USP, onde fiz minha formação acadêmica e onde trabalho há cinquenta anos. Frequentemente me perguntam como essa descoberta aconteceu fora do circuito das grandes universidades como Cambridge, Oxford, Harvard. O principal motivo é que a USP pertence ao sistema de universidades públicas do Brasil, onde os pesquisadores são pagos pelo poder público, e onde as pesquisas são financiadas por agências de fomento públicas. Essa condição permite que temas que interessem à sociedade sejam pesquisados com total independência — disse ele, que recebeu o troféu das mãos de Adriana Dias Lopes, editora de Saúde de O GLOBO, e Bernardo Mello Franco, colunista do jornal. Monteiro criticou também as “novas formas de ultraprocessados”: as casas de apostas e redes sociais: — O consumo de ultraprocessados contribui para doenças que afetam todo nosso sistema imunológico. Representa uma das principais causas preveníveis de mortes precoce. Esse consumo é uma fonte de núcleos extraordinários como bets, redes sociais e cigarros, outros negócios que geram doenças. A produção de ultraprocessados é dominada por gigantescas companhias transnacionais, que, com poder econômico, cooptam agências regulatórias e políticas que deveriam regulá-las. São os mercadores da dúvida. Infelizmente, nas universidades americanas e inglesas, os financiamentos de suas pesquisas têm origem nas companhias de alimentos ultraprocessados, mas não na USP, não no Brasil — ele disse. Segundo o Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens), fundado por Monteiro, os ultraprocessados já fazem parte de mais de 21% da dieta dos brasileiros. O número ainda é abaixo de países como Austrália e EUA, onde os produtos alcançam 42% e 58%, respectivamente, do consumo total de calorias por dia. Ainda assim, o número chama a atenção pelo crescimento. O Faz Diferença é uma realização do jornal O GLOBO, com patrocínio da Firjan SESI e apoio da Petrobras, Light e Naturgy.