Há alguns meses venho elaborando um estudo sobre o filme "Matrix", de 1999. Inclusive, desenvolvi um curso online com apostila que tem sido transmitido em escolas públicas e privadas, associações de classe e organizações de bairro, em que me proponho a analisar o filme sob a lente feminista, oferecendo uma releitura da metáfora da pílula vermelha.

O curso, chamado "Pensamento Redpill", mergulha na metáfora da cena protagonizada por Morpheus, líder da resistência, e Neo, o "escolhido". Conforme já abordamos há algumas semanas nesta coluna, uma leitura deturpada dessa passagem fundamentou teorias de ódio às mulheres em grupos de adolescentes e jovens adultos nas redes sociais, a chamada "machosfera".

Tem sido um desafio interessante analisar o filme. Como afirmo na apostila que acompanha o curso online, "Matrix" é um filme tradicionalmente observado para analisar sistemas de opressões. A partir dele, por exemplo, podemos relacioná-lo como metáfora para analisar o sistema imperialista que organiza o norte e o sul global, por exemplo.

Nesse sentido, apenas a título de rápido exemplo, podemos imaginar o mundo das máquinas como a realidade devastada das colônias, enquanto simultaneamente a realidade virtual Matrix seria a realidade plástica de países do norte, numa relação em que ambos coexistem —miséria e progresso; guerra e paz.