Nos primórdios do futebol, toda falta era considerada um acidente involuntário. Um descuido. Afinal, um cavalheiro nunca atingiria um nobre colega de propósito. Assim, em 1891, a criação da regra do pênalti gerou grande polêmica. "Um insulto permanente aos esportistas ter que jogar sob uma regra que assume que jogadores se comportam como canalhas dos mais inescrupulosos", escreveu o jogador C.B. Fry em 1907.
O Corinthian inglês, que inspirou o Corinthians brasileiro, se recusava a fazer gol de pênalti e tirava seu goleiro de campo quando era marcado um pênalti contra si.
Cinco meses depois da regra, com o Aston Villa vencendo o Stoke por 2 a 1 a dois minutos do fim, um pênalti foi marcado. O goleiro, um canalha do Villa, isolou a bola para fora do campo, que voltou com a partida já encerrada. Não havia acréscimos: os jogos terminavam aos 90 minutos, mesmo com um pênalti a cobrar.
Essa história está em livros e artigos acadêmicos, mas o episódio não é mencionado em notícias sobre a partida nos jornais ingleses do dia. Porém, no Sunderland Daily Echo daquela data, encontrei um árbitro que havia terminado um jogo cinco minutos antes "sob a impressão de que o tempo havia acabado". O futebol, como se vê, tinha um problema com o tempo.














