No Fifão 2026 falta, para uma falta ser marcada, requer tentativa de assassinato; pênalti, só em caso de homicídio doloso triplamente qualificado 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Isamel Koné chega de cadeira de rodas no gramado do Estádio de Vancouver — Foto: Emilee Chinn/Getty Images/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 28/06/2026 - 19:49 Árbitro gera polêmica na Copa 2026 por decisões controversas O árbitro é o personagem da semana na Copa do Mundo 2026, destacando-se por seu papel controverso em decisões críticas. Em um torneio marcado por critérios rigorosos, faltas só são marcadas em casos extremos, como "tentativa de assassinato". A FIFA enfrentou críticas por suas decisões, como a suspensão de Madibo, que quebrou a perna de um adversário, refletindo a complexidade e subjetividade nas arbitragens e no esporte em geral. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Toda Copa traz uma lente de aumento que nos ajuda a examinar nossos pequenos e grandes problemas. Por isso o personagem dessa semana é o árbitro. Não o árbitro menor e apitador — que entra em campo de preto ou uniforme furta-cor e neste evento ganhou nome nas costas. Mas nosso árbitro maior de cada dia, esse juiz de futebol que carregamos dentro de nós e, convenhamos, não é só de futebol. Esse árbitro que se indigna com a ponta do pé iraniano que evitou o que seria uma vitória de Davi na casa de Golias. Se há algo que foi esportivamente injusto foi o tratamento do Irã neste Mundial. Depois de inventar um prêmio da paz para Donald Trump e assobiar olhando pra cima dois meses depois, quando ele bombardeou o Irã, a FIFA entubou mais. A delegação iraniana foi obrigada a a se hospedar no México e sair corrida dos EUA após suas partidas. Com desvantagem, arrumou três empates e ficou a uma unha da classificação. Mas, sejamos francos, a unha estava ali. O jogador estava impedido. Não devemos fechar os olhos pra isso ou acreditar que o Irã é um coitado internacional. Ninguém razoável compra o argumento de que os EUA atacaram para salvar o povo iraniano — mas o regime dos aiatolás é uma teocracia brutal que massacra quem discorda e outro dia estava fornecendo drones pra Rússia atacar a Ucrânia. Queremos torcer pelo mocinho contra o bandido — mas o filme do presente anda carente de John Wayne. Sempre queremos acreditar que quem manda no esporte —e no mundo — tem as melhores intenções. Que todo juiz entra em campo querendo acertar. Mas juízes erram, mesmo com VAR. E o futebol tem subjetividades amplas. Exemplo: sempre soubemos que faltinha não é pênalti. Falta, pra ser pênalti, precisa ser muito mais falta. Não é a regra escrita, mas a praticada. O VAR brasileiro andou autorizando o minipênalti, o micropênalti e até o nanopênalti. Na Copa, rumamos em outra direção. É um Mundial de critérios maximalistas. No Fifão 2026 falta, para ser marcada, requer tentativa de assassinato. Pênalti, só em caso de homicídio doloso triplamente qualificado. Segurar, agarrar e puxar camisa tá liberado — desde que não tenha impacto grotesco. Os juízes ignoram pontapés e bandas... e seeeegue o jogo. Mas se for esse o critério estabelecido — ou se existir um critério —, temos um avanço. Porque o que esperamos de um juiz é clareza, e não casuísmo. Dos juízes e das entidades. Por isso vale encerrar com uma história menor. Em Catar x Canadá tivemos o lance mais feio da Copa. O catari Madibo deu uma entrada dura no canadense Ismail Koné, que quebrou a perna. A FIFA omitiu o replay na transmissão — editorialmente decidindo que o público não merecia entender o que aconteceu — ou escolhendo protegê-lo de uma imagem impactante. Então só tivemos um ângulo em que é difícil entender o que aconteceu. O juiz inicialmente deu cartão amarelo, e só depois mudou para vermelho. Ou seja: puniu a consequência, não o ato. A FIFA foi além: suspendeu Madibo por cinco partidas. Madibo não foi na maldade, não quis quebrar a perna de Koné e pareceu devastado quando viu o acontecido. Essa Copa teve outras entradas parecidas ou piores — mas só essa gerou a fratura brutal. O martelo que puniu Madibo parece dizer: “Olha, pode bater! Mas se acontecer alguma coisa... o risco é seu”. Ninguém vai chorar por Madibo, o catari anônimo. Quase ninguém vai se lembrar de Madibo. Mas quando o tribunal opta pela demagogia... devemos entender onde estamos pisando. É sinal de que quem manda prefere jogar para a galera do que fazer justiça.