A Copa do Mundo tem sido pródiga em gols evitados por goleiros incríveis. Quanto à moralidade e as obrigações do ser humano, que Albert Camus disse ter aprendido jogando na posição, há controvérsias 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Kylian Mbappe e Azzedine Ounahi brigam pela bola no jogo entre França e Argélia: craque francês recusa patrocínio de bets — Foto: FRANCK FIFE / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você Gestão da CBF contrasta com a federação da Noruega, dirigida por uma ex-jogadora e focada na disciplina e formação de atletas. No Brasil, são fartos os exemplos de jogadores que chamariam Albert Camus, que disse ter aprendido sobre moralidade jogando futebol, de otário. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO “O que eu mais sei sobre a moralidade e as obrigações do ser humano devo ao futebol”, disse Albert Camus, grande escritor e filósofo franco-argelino: “Futebol é inteligência em movimento.” Camus era goleiro do time juvenil do Racing, da Argélia, e filosofou sobre a responsabilidade e a solidão do goleiro, o último defensor, que ninguém pode ajudar. A Copa do Mundo tem sido pródiga em emoções de gols evitados por goleiros incríveis, em defesas milagrosas, como o prosaico Vozinha, dublê de eletricista e goleiro de Cabo Verde, e o sensacional norueguês Nyland, atualmente desempregado, que fecharam seus gols e garantiram resultados quase impossíveis para seus times. Vários resultados improváveis, como o empate do Paraguai com a Alemanha e o de Cabo Verde com a Espanha, devem-se à atuação dos goleiros. O problema do goleiro é que ele só brilha se for muito ameaçado, tem que torcer para ser exigido. E só ele não pode falhar. Como fez o goleiro dos Estados Unidos, Matt Freese, um economista formado em Harvard, ao tentar driblar um atacante da Bélgica e perder a bola, provocando o terceiro gol e o prego no caixão dos americanos. Quanto à moralidade e as obrigações do ser humano, que Camus diz ter aprendido com o futebol, há controvérsias. Ele se espantaria ao ver o comportamento, a moralidade e a humanidade dos craques milionários de hoje. O que fazem com seu dinheiro. O que ensinam às novas gerações que os idolatram e querem ser como eles. No Brasil, são fartos os exemplos de jogadores que chamariam Camus de otário. Mas acima deles, e muito abaixo da moralidade e das obrigações do ser humano, estão os dirigentes, os presidentes de clubes e federações, os chefões que negociam jogadores e patrocinadores, que decidem quem joga, e quem não, que escalam juízes, e têm na CBF o seu supremo poder e pior exemplo. Enquanto isso, a federação da Noruega é dirigida por uma ex-jogadora vice-campeã mundial com a seleção nacional, uma braba que organizou e investiu durante anos, com disciplina e determinação, na formação de uma equipe e de um supercraque que derrotaram o time da CBF e seus políticos e empresários que contratam técnicos e jogadores e negociam com patrocinadores. Ainda sobre a moralidade e a humanidade, como uma metáfora geopolítica: em nove confrontos, países pequenos ou periféricos como Cabo Verde, Costa do Marfim, Senegal, Egito e República Democrática do Congo brilharam em campo, mas perderam todos. E, uns mais outros menos, foram prejudicados por arbitragens incompetentes e interpretações suspeitas. Mas deram show não só da tal inteligência em movimento de que fala Camus, mas em espírito de luta e combatividade, sem deixar o adversário dominar a bola, ocupando todos os espaços. Tudo o que a seleção brasileira não fez, esperando um erro, uma roubada de bola e um contra-ataque. O gato esperando o mar pegar fogo para comer peixe frito. Já o craque Mbappé recusa patrocínios de bets, que destroem os jovens dos bairros pobres de onde ele veio. Camus o aplaudiria.