CAR-T Cell desenvolvido pelo Hemocentro de Ribeirão Preto, da USP, junto com o Instituto Butantan teve resultados preliminares dos testes clínicos divulgados nesta semana 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Apresentação dos resultados do estudo clínico do CAR-T Cell no Hemocentro de Ribeirão Preto. — Foto: Rafael Nascimento/Ministério da Saúde RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 11/06/2026 - 11:59 Terapia Celular Brasileira Promissora Contra o Câncer Pode Chegar ao SUS Uma terapia celular inovadora contra o câncer, desenvolvida no Brasil pelo Hemocentro de Ribeirão Preto e Instituto Butantan, mostrou eficácia de 87,5% em testes preliminares. A técnica CAR-T Cell, que edita geneticamente linfócitos T para atacar células cancerígenas, poderá ser oferecida pelo SUS. O tratamento, atualmente caro, espera tornar-se acessível após aprovação da Anvisa. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Ministério da Saúde divulgou, nesta quarta-feira, resultados preliminares dos testes de uma versão brasileira do CAR-T Cell, terapia celular inovadora contra o câncer, desenvolvida pelo Hemocentro de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (USP), com o Instituto Butantan. Nos estudos, 87,5% dos pacientes com cânceres hematológicos, especialmente linfoma, tiveram uma redução significativa ou mesmo desaparecimento dos tumores. Os dados ainda não foram publicados em revista científica. O CAR-T Cell é uma terapia nova que envolve a edição genética de células de defesa do sistema imunológico chamadas de linfócitos T para que elas passem a reconhecer um determinado alvo e atacá-lo. É uma espécie de autotransplante, em que as células do paciente são coletadas, modificadas em laboratório, multiplicadas e reinseridas no paciente. No Brasil e no mundo, a técnica já foi aprovada para alguns tipos de leucemias e linfomas. Para isso, os cientistas coletam e reprogramam os linfócitos T para reconhecerem e destruírem as células cancerígenas em circulação na corrente sanguínea. No entanto, o custo é elevado, chega a R$ 2 milhões por paciente, o que tem tornado o tratamento inacessível no país. Como funciona o CAR-T Cell. — Foto: Arte O Globo Por isso, entidades como o Hemocentro de Ribeirão Preto e o Butantan, assim como o Einstein Hospital Israelita e a Fiocruz, que inaugurou um Centro de Desenvolvimento e Produção de Terapias CAR-T em maio, têm trabalhado para desenvolver versões nacionais da ferramenta e, eventualmente, possibilitar uma incorporação a preços mais acessíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2024, o Hemocentro e o Butantan deram início ao CARTHEDRALL, um estudo clínico de fase 1/2 voltado para pacientes com leucemia linfoide aguda de células B e linfoma não Hodgkin de células B que não tiveram resposta ou apresentaram recidiva do câncer após os tratamentos convencionais, como quimioterapia e transplante de medula óssea. Ao todo, os testes vão englobar 81 pacientes, crianças e adultos, recrutados em cinco hospitais de São Paulo. Até o momento, 75 participantes já foram cadastrados, dos quais 25 receberam o tratamento. Deles, quase 9 a cada 10 tiveram melhoras após a infusão do CAR-T Cell brasileiro. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, esteve no Hemocentro de Ribeirão Preto, nesta quarta-feira, para o anúncio dos resultados preliminares. O governo federal investiu R$ 100 milhões no estudo. — Os resultados são muito animadores. Os pacientes já haviam passado por diversas linhas de tratamento, como quimioterapia, radioterapia e transplante, e encontram nessa nova terapia uma nova esperança de cura e qualidade de vida. Estamos construindo a maior rede pública de prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer do mundo. Atualmente, 96% dos tratamentos oncológicos já são ofertados pelo SUS — disse o ministro. Um dos objetivos dos estudos é justamente viabilizar que o CAR-T Cell esteja disponível em breve no SUS. Na ocasião, Padilha disse que há uma expectativa de que a terapia esteja acessível jd entro de um ano. Antes disso, porém, os resultados completos dos testes precisam ser submetidos à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para que o órgão avalie se aprova ou não a terapia no país.