Num momento social onde uma parte significativa das interações acontece através dos ecrãs, colecionar cromos aparenta ser uma atividade simples, porém, encerra um conjunto relevante de funções psicológicas e sociais que abrem espaço para a elaboração de competências cognitivas, sociais e emocionais.Não obstante o impacto financeiro significativo para as famílias, que deve ser limitado, a coleção e a troca de cromos, atualmente em voga devido ao campeonato do mundo de futebol, constitui uma atividade lúdica com um importante potencial educativo e social. Esta prática representa uma ótima oportunidade para ativar funções executivas importantes nas crianças, nomeadamente, o planeamento, a atenção, a organização e a memória. A promoção destas funções desempenha um importante papel na aprendizagem e na resolução de problemas, contribuindo para o desenvolvimento integral da criança.Promover autonomiaÀ primeira vista considerada como uma mera brincadeira, a coleção de cromos cria uma espécie de microcultura social que integra o sentimento de pertença a um grupo com objetivos comuns, onde as crianças satisfazem importantes necessidades psicológicas. São exemplos, a autonomia, através da escolha em função de uma meta e da organização; o sentido de competência, através do sentimento de eficácia quando negoceia e alcança objetivos; e o relacionamento interpessoal, através do reforço dos laços entre os colegas, do desenvolvimento de novas amizades, da partilha e da colaboração.Assinala-se, ainda, a construção de valores. Quando inicia a coleção, a criança tende a avaliar a caderneta e as trocas de cromos como um benefício pessoal, mas progressivamente começa a por em prática princípios de justiça, reciprocidade e equidade.Promover conhecimentoÀ medida que a criança se familiariza com a coleção, adquire conhecimento sobre as equipas, os jogadores, os estádios e os países onde os jogos vão decorrer. Este processo estimula particularmente a memória de trabalho, que permite recordar os cromos que possui e os que faltam, e o controlo inibitório para resistir a decisões impulsivas durante as trocas.