Uma estratégia de telerreabilitação aplicada em hospitais públicos brasileiros, que envolve cuidados integrados na UTI, na enfermaria e em casa, conseguiu produzir um efeito raro na medicina intensiva: reduzir a mortalidade de pacientes graves e melhorar sua recuperação após a alta hospitalar.
Os resultados foram apresentados nesta quarta-feira (10) em um congresso internacional de terapia intensiva em Belfast, na Irlanda do Norte, e publicados simultaneamente no Jama (Journal of the American Medical Association), uma das revistas científicas mais prestigiadas do mundo.
Em comparação ao cuidado habitual, a estratégia reduziu em 7,6 pontos percentuais a mortalidade de pacientes com insuficiência respiratória aguda submetidos à ventilação mecânica. A taxa caiu de 78,3% para 71,8% em 90 dias.
Coordenado pelo Einstein Hospital Israelita e pelo Hospital Moinhos de Vento por meio do Proadi-SUS (Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde), o estudo acompanhou 1.916 pacientes internados em 20 hospitais públicos de diferentes regiões do país entre 2024 e 2025.
O modelo combinou três etapas de cuidado: suporte remoto às equipes das UTIs para acelerar a retirada dos pacientes da ventilação mecânica; avaliação multidisciplinar —com fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas e psicólogos, entre outros profissionais— durante a permanência na enfermaria; e um programa personalizado de reabilitação por teleatendimento durante dois meses após a alta.











