Aliados do presidenciável do PL, senador Flávio Bolsonaro (RJ), minimizaram o resultado da pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (10), na qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pré-candidato à reeleição, abriu seis pontos de vantagem no cenário de segundo turno. A avaliação interna na pré-campanha do PL é de que se trata de oscilações normais durante a disputa e que Flávio conseguirá se recuperar, além de vencer Lula no debate sobre segurança pública. Segundo o levantamento, Lula lidera a corrida presidencial com 44% das intenções de voto em eventual segundo turno, contra Flávio que alcança 38% da preferência do eleitorado. Na pesquisa anterior, divulgada em maio, o cenário era de empate técnico: o petista tinha 42%, e o senador do PL, 41%. A pesquisa é a primeira do instituto após a revelação da troca de mensagens entre Flávio e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, com pedido de dinheiro para a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Também é a primeira após a visita do senador ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump – sucedida pelo anúncio da classificação de facções criminosas como terroristas e pela ameaça de um novo tarifaço de produtos brasileiros. Um aliado de Flávio, ouvido pelo Valor, argumentou que embora a estratégia do PT se concentre em associar o senador à figura de "traidor da pátria", por causa das novas tarifas, a percepção é de que a classificação do PCC e do Comando Vermelho como terroristas pela Casa Branca foi um trunfo eleitoral para Flávio. O mesmo aliado acrescentou que Lula não conseguirá vencer Flávio no debate sobre segurança pública, sobretudo com a realidade de comunidades em todo o país que vivem como reféns do tráfico e das milícias. Apesar dessa análise, a Quaest mostrou que a população se dividiu sobre a classificação de "terroristas" imputada ao crime organizado: 45% concordam, mas 45% discordam, enquanto 60% afirmam que cabe ao governo brasileiro ações nesse sentido. No ano passado, atribuir o primeiro tarifaço à ação da família Bolsonaro junto à Casa Branca contribuiu para melhorar a aprovação de Lula. Na pesquisa atual, 53% disseram que punições impostas por Donald Trump vão prejudicar empresas e bancos brasileiros. Ao mesmo tempo, o aliado de Flávio minimizou o risco de que surjam novas revelações ligando Flávio à fraude financeira do Banco Master, investigada pela Polícia Federal (PF). Esta fonte ponderou que a futura campanha presidencial será marcada por denúncias de ambos os lados, e que o grupo de Flávio avalia que podem surgir fatos que comprometam quadros do PT da Bahia, o que atingiria a candidatura de Lula. A Quaest mostrou que as denúncias ligando Flávio à crise do Banco Master prejudicaram a pré-candidatura dele. A maioria dos entrevistados (65%) afirmou que o senador errou ao pedir dinheiro a Vorcaro para bancar a produção do filme "Dark Horse".