O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recuperou a vantagem no embate com o senador Flávio Bolsonaro (PL), mostra pesquisa Genial/Quaest divulgada ontem. No primeiro levantamento do instituto feito depois da divulgação de áudios em que o senador pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark horse” e dos novos episódios envolvendo os Estados Unidos, o petista abriu distância de dez pontos no primeiro turno, e de seis no segundo. A diferença a favor do petista foi puxada pela melhora nos eleitores classificados como “independentes”. Decisiva, essa parcela não se considera lulista ou bolsonarista, tampouco de direita ou de esquerda, tem registrado variações ao longo do tempo, e agora se inclina para o presidente. No confronto direto, Lula marca 44% contra 38% do adversário. O levantamento do início de maio registrava empate técnico, com 42% a 41% para o postulante à reeleição. A diferença de agora é a maior desde janeiro, quando Flávio ainda trabalhava para consolidar a candidatura dentro do próprio grupo político. Ele foi anunciado como sucessor do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em dezembro. Já no primeiro turno, o presidente seguiu com os mesmos 39%, mas a abertura da vantagem se deu na esteira da queda de Flávio, que passou de 33% para 29%. Abaixo dele, a Quaest identificou movimentações dos demais pré-candidatos de direita, mas sempre dentro da margem de erro, que é de dois pontos: Renan Santos (Missão) oscilou de 2% para 3%; Ronaldo Caiado (PSD), de 4% para 3%; e Romeu Zema (Novo), de 4% para 2%. Houve ainda a inclusão de Aécio Neves (PSDB), que não tem candidatura confirmada. Ele pontuou 2%. Fatia decisiva A peça-chave da nova pesquisa é o eleitorado independente, que representa cerca de um terço da amostra da Quaest. Quando o instituto simula um segundo turno entre os dois no universo dos independentes, Lula abre distância de 13 pontos, com placar de 37% a 24%. A soma dos que dizem que não iriam votar ou que estão indecisos é alta, 39%, mas vem caindo aos poucos. Trata-se da primeira vez desde fevereiro que o petista aparece na frente. Os que não escolhiam nenhum dos dois já prevaleciam, mas Flávio tinha percentual superior ao do adversário — uma possível consequência do caso envolvendo Flávio e o banqueiro do Master, e das novas intromissões dos Estados Unidos de Donald Trump na política doméstica brasileira. Chama atenção, ainda, que Lula ampliou um pouco a vantagem nesse segmento já no primeiro turno. Marcava 26% das intenções de voto em maio, contra 18% do representante da família Bolsonaro. A fotografia de agora é de 28% a 14%. “A mudança mais expressiva aconteceu nos independentes, que trocaram Flávio por Lula. Mas também chama atenção a oscilação negativa que Flávio obteve entre a direita não bolsonarista”, analisou após a divulgação da pesquisa o diretor da Quaest, Felipe Nunes. De fato, a direita não bolsonarista impôs uma piora ao filho de Bolsonaro na comparação com a pesquisa anterior. Embora a vantagem de Flávio ainda seja avassaladora, com 82% a 7%, houve queda de seis pontos nas intenções de voto do senador, o que levou Lula a oscilar um pouco para cima. A maior parte migrou para os que dizem que não pretendem ir votar, agora com 9%, e os indecisos oscilaram um para cima, agora com 2%. Se nas intenções de voto a curva pró-Lula é mais significativa, no caso da aprovação ao governo ela vem sendo tímida, apesar de também favorável. Em um mês, o saldo negativo oscilou de três para um ponto: 48% desaprovam a gestão, e 47% aprovam. Na comparação com abril, o movimento é mais acentuado, já que naquele momento o saldo era de nove pontos negativos. Também aqui os independentes vão apresentando uma curva positiva para Lula, que tem conseguido reduzir o prejuízo. Naquele mês, o saldo negativo nesse recorte era de 26 pontos. Agora, é de apenas seis, com 47% de desaprovação e 41% de aval à gestão. Essa melhora na avaliação acompanha uma percepção mais positiva da economia e dos programas do governo. Principal aposta de Lula para o ano eleitoral e promessa da campanha de quatro anos atrás, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil impactou a renda de 57% dos brasileiros, segundo a pesquisa. Os dados mostram que 23% afirmam que a renda “aumentou significativamente” após a medida que entrou em vigor no início do ano. Outros 34% sentem que a renda cresceu, “mas não muito”. Para 42%, não houve diferença no bolso. O novo Desenrola também passou a ser mais conhecido pelos entrevistados, e 50% consideram o programa de renegociação de dívidas positivo. Dark Horse e Trump A sondagem também perguntou aos entrevistados sobre iniciativas recentes do governo, além do caso “Dark horse”, a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Para 65% dos que souberam das conversas, Flávio errou ao pedir dinheiro para Vorcaro, e 60% avaliam que as mensagens levantam suspeitas. No mesmo patamar, 62% afirmam que o senador sabia do envolvimento do banqueiro com corrupção. Na parte do questionário sobre a classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como terroristas, defendida pelo bolsonarismo, o eleitorado se divide igualmente, 45% a 45%, entre quem acha que o governo americano devia ter feito o que fez e quem rechaça a iniciativa de Trump. Por outro lado, 60% apontam que o governo brasileiro deveria fazê-lo — o que sugere uma concordância com a nomenclatura, mas não com a interferência dos EUA em si. Já quando perguntados sobre as novas taxas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, 47% concordam “com Lula, que acusa Flávio de ter pedido o novo tarifaço”, e 35% “com Flávio, que diz que pediu a Trump para não impor novas tarifas”. A Genial/Quaest realizou 2.004 entrevistas presenciais entre os dias 5 e 8 de junho. Foram ouvidos brasileiros com 16 anos ou mais. A margem de erro geral é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. No caso dos independentes, a margem é de quatro pontos. A pesquisa foi protocolada junto à Justiça Eleitoral com o número BR-07661/2026.
Peça-chave para outubro, eleitores 'independentes' ajudam Lula a recuperar vantagem sobre Flávio
Na primeira pesquisa Genial/Quaest após divulgação de conversas entre o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro, o petista abriu distância de dez pontos no primeiro turno, e de seis no segundo













