O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pré-candidato à reeleição, abriu vantagem de 5,1 pontos em um possível segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a revelação de mensagens entre o senador e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, segundo pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quinta-feira (28). De acordo com o levantamento, Lula tem 46,5% das intenções de voto em um cenário de confronto entre os dois, enquanto o presidenciável do PL tem 41,4%. Em sondagem anterior do instituto, divulgada no dia 6 de maio, os dois estavam tecnicamente empatados e Flávio aparecia numericamente à frente do petista: 45,3% a 44,7%. A pesquisa ouviu 1.500 pessoas entre os dias 23 e 27 de maio. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais. Os diálogos entre Flávio e Vorcaro foram revelados pelo site Intercept Brasil no dia 13. Nas mensagens, o parlamentar cobra dinheiro do banqueiro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre a vida do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O pré-candidato também admitiu ainda que visitou o dono do Banco Master após ele ser preso, em 2025. Segundo a sondagem, o senador carioca perdeu apoio principalmente entre eleitores de centro-direita, mais jovens e mais ricos, ainda considerando o cenário de segundo turno contra Lula. Na centro-direita, onde tinha apoio de 96,3% na rodada de 6 de maio, passou a ter 78,3% das intenções de voto, ainda à frente de Lula, que passou de 0% para 15,2% nesse recorte. Entre eleitores de 16 a 24 anos, Lula passou a liderar em um segundo turno contra Flávio, marcando agora 49,6% contra 39,5% no segmento. Em 6 de maio, o pré-candidato do PL aparecia à frente, com 55,2% a 30%. Movimento semelhante ocorreu entre o grupo que ganha mais de cinco salários mínimos. Na pesquisa desta quinta, o petista lidera por 48,6% a 41,5%. Antes, Flávio estava à frente nesse grupo: 60,4% a 30,6%. Na principal simulação de primeiro turno, considerando a pesquisa estimulada – em que uma lista de nomes é apresentada aos entrevistados –, Lula tem 38,5% das intenções de voto, enquanto o senador do PL marca 31,5%. O pré-candidato do PSD, Ronaldo Caiado, tem 5,5%; Romeu Zema, do Novo, registra 2,4%. Brancos e nulos somaram 5,1%, e 4,4% votariam em outros candidatos, não especificados no documento. O relatório não traz comparações entre cenários estimulados de primeiro turno. O instituto também testou o nome da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que foi cotada para substituir Flávio em caso de agravamento da crise na campanha do presidenciável -- o que o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, descarta. No primeiro turno, Michelle teria 29,6% das intenções de voto contra 38% de Lula. Nesse cenário, Caiado teria 6,2% e Zema, 3,8%. Em um eventual segundo turno entre Lula e Michelle, o petista venceria a ex-primeira-dama por 46% a 40%. Caso Dark Horse Segundo o levantamento, 37,4% dos entrevistados ouviram muito sobre o caso “Dark Horse”, enquanto 18,2% não ouviram nada. Para 44%, o episódio faz com que hoje tenham uma opinião pior sobre Flávio Bolsonaro. O senador tem índice de rejeição de 39,8%. Lula é o mais rejeitado, com 46,7%. “A desorganização da oposição e a insistência no bolsonarismo ajudam Lula. O patamar de rejeição de Flávio Bolsonaro segue elevado, e o evento do áudio com Daniel Vorcaro não contribui para amenizar essa rejeição, muito pelo contrário”, avalia Maurício Moura, fundador do Ideia, no relatório. Para 57%, o Congresso Nacional deveria instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master. Outros 12% discordam da ideia, e 22% não concordam nem discordam. A defesa do colegiado passou a ser feita por governistas e oposição, mas a criação do grupo é considerada improvável por parlamentares, diante do calendário apertado em ano eleitoral. Aprovação de Lula A pesquisa também mostrou que a aprovação ao governo Lula oscilou positivamente em relação à rodada anterior e agora chega a 46,6%. Antes, era 44%. Os que desaprovam a gestão somam 51,4% contra 53% no levantamento de 6 de maio. Em relação à avaliação do governo, 23,4% o consideram bom (eram 20,5%), 12,2%, ótimo (contra 11%) e 21,7%, regular (frente a 21% do levantamento anterior). Os que acham péssimo são agora 25,4%, queda em relação aos 32,3% da sondagem de 6 de maio. Já o índice que avalia a gestão como ruim oscilou para cima, de 14% para 15,3%. Um percentual de 2% não soube opinar. “Nenhum governante, em reeleição, piorou a avaliação entre junho e outubro do ano eleitoral. Ou seja, o presidente Lula já se estabelece em um patamar bastante competitivo. A essa altura, em 2022, Jair Bolsonaro ainda não tinha esse degrau de aprovação”, escreveu a CEO do Ideia, Cila Schulman. Ainda de acordo com a pesquisa, 45,6% dos entrevistados afirmam que Lula merece ter outro mandato, enquanto 51,4% dizem que ele não merece. Na leitura anterior, esses percentuais eram de 44% e 52%, respectivamente. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-02918/2026-BRASIL e tem intervalo de confiança de 95%. — Foto: Fotos: Marcelo Camargo/Agência Brasil e Andressa AnholeteAgência Senado