O pré-candidato do Missão à Presidência da República, Renan Santos, afirmou que uma das diferenças dele para outros presidenciáveis da oposição é que não aceita "passar pano" para o senador Flávio Bolsonaro (PL), hoje à frente deles nas pesquisas, rivalizando com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Apesar da crítica, Santos se disse aberto a dialogar com Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), desde que uma eventual aliança "faça sentido" para ele. Um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL), o ativista participa de sua primeira eleição representando o partido criado pelo grupo e registrado oficialmente há sete meses. Convidado para um encontro nesta quarta-feira com clientes da Genial Investimentos, na avenida Faria Lima, Santos buscou se apresentar à plateia e debater propostas, no momento em que tenta se firmar como uma alternativa viável para o eleitorado refratário à reeleição de Lula. Durante o evento com investidores, ele disse que é "o candidato que vai tirar o Flávio do segundo turno" e detalhou a sua estratégia de tentar crescer tirando votos tanto do senador quanto do presidente Lula. Segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, Santos está em terceiro lugar, no primeiro turno, com 3% de intenções de voto, empatado numericamente com Caiado. O pré-candidato do PT registra 39% e o do PL, 29%. Zema tem 2%. Santos afirmou que trabalha para firmar sua candidatura como um "projeto sólido" e que isso é preciso para que ele seja respeitado em eventual conversa com Caiado e Zema para o que chamou de "construção de um caminho comum". O líder do MBL disse que, quando entrou na corrida, foi "tirado para otário" e tratado como "garoto". Um de seus ativos é a base de militância digital, que dá a ele popularidade sobretudo entre a população mais jovem. "Eu vou ganhar essa bagaça [eleição presidencial]. E esses caras [Caiado e Zema] deveriam me ajudar, porque eu naturalmente vou ultrapassá-los. E eles vão ter que respeitar as minhas ideias. Até porque, em termos de estratégia política, eles não concordam com as minhas ideias, e eu não concordo com a ideia deles. Eu não concordo em passar pano para o Flávio Bolsonaro. Eles concordam", afirmou. Santos explorou as revelações sobre ligações de Flávio com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e relembrou suspeitas envolvendo o nome do senador e pessoas apontadas como lideranças de facção criminosa. "Flávio Bolsonaro defendia toda aquela banda podre do Rio de Janeiro envolvida com o Comando Vermelho. Este cara não deve ser presidente da República do Brasil, e a pessoa que o apoia está errada", disse o pré-candidato do Missão. Santos procurou afastar a pecha de radicalismo atribuída a ele, mas confirmou que replicaria medidas dos presidentes da Argentina, Javier Milei, e de El Salvador, Nayib Bukele, tanto na economia quanto na segurança pública. O presidenciável afirmou que exercitou sua capacidade de "composição" política quando atuou, como líder do MBL, nas articulações em favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). "Não sou uma pessoa radical." Em entrevista a jornalistas, no fim do evento, Santos disse que a Faria Lima, "como força política", falhou ao "endossar erros do bolsonarismo", mas está começando a entender que apoiar Flávio desta vez não será o melhor caminho para derrotar Lula, abrindo espaço para uma mudança na agenda econômica e na política fiscal do país. "Eu não concordei com o que era consenso na Faria Lima, especialmente durante o governo Bolsonaro. Não acho que eles acertaram; os apoios não estavam corretos. E isso cobrou um preço, que foi a volta do Lula. Não acho que o mercado tem que embarcar, como não está embarcando, numa candidatura do Flávio. Está tendo uma tomada de consciência na Faria Lima em entender que, para superar o petismo, não será com o bolsonarismo", declarou. Economia e segurança Santos defendeu a necessidade de corte de gastos para reequilibrar as contas do país e combater as desigualdades, ressaltando propostas como liberdade econômica, adoção da meta de déficit zero no orçamento e menos burocracia e judicialização. Também afirmou que é preciso debater a redução no valor das emendas parlamentares. Disse ainda ser contra a privatização da Petrobras, afirmando que vender a estatal não pode ser visto como exemplo de medida de política fiscal. Apesar de concordar com problemas como o uso político da companhia, ele afirmou que essas questões podem ser enfrentadas sem abrir mão do controle. "Num mundo que debate reservas estratégicas de recursos escassos que vão fazer diferença num conflito global, faz sentido entregar esse ativo brasileiro?", indagou. Sobre segurança, Santos reiterou a defesa de uma política "linha dura", com a implementação de legislação penal mais rigorosa e restrições à progressão de regime, sobretudo para líderes de facções criminosas. Ele descartou o incentivo ao armamento da população civil, justificando que essa não é a melhor resposta ao problema, embora possa haver flexibilização da posse para pessoas que queiram ter armas em casa ou para proteger propriedades rurais.
Em encontro na Faria Lima, Renan Santos diz que não 'passa pano' para Flávio Bolsonaro
Pré-candidato do Missão participa de encontro com clientes de banco e tenta se firmar como alternativa viável para eleitor anti-Lula














