O pré-candidato à Presidência pelo Missão, Renan Santos, disse nesta quinta-feira (21) que não se considera “uma terceira via” para fazer frente às candidaturas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) afirmou ter uma proposta própria e se disse capaz de "invadir o eleitor do Lula e o eleitor do Flávio". A declaração foi feita após sua participação em sabatina realizada com presidenciáveis na Marcha dos Prefeitos, promovida pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM), em Brasília. Ao discursar para os presentes, Santos se presentou como uma “liderança de um grupo de direita, que não é bolsonarista”. É a primeira vez que Santos disputa um cargo eletivo. Questionado sobre apoiar Lula ou Flávio em um eventual segundo turno, Santos disse que prefere “tomar porrada dos dois lados”. “Você prefere pegar a ebola ou prefere ser atropelado por uma carreta? Em ambos os casos, você se dá muito mal", ironizou. O pré-candidato acrescentou que considera o PT o “único partido a ser enfrentado”. “O PT é partido, tem formação intelectual, tem estrutura ao redor do Brasil e tem proposta. Para enfrentar ele, eu tenho que me comportar como um partido também”, afirmou. Durante a sabatina, Santos voltou a afirmar que é a favor do chamado PL da dosimetria, que prevê a redução de penas de condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Para ele, o projeto “corrige distorções em condenações que aconteceram com penas muitas vezes injustas”. Questionado sobre limitar poderes dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Renan disse que pretende aumentar o número de integrantes da Corte e entregar ao SFT apenas as atribuições estritamente constitucionais. “Temos que acabar com as decisões monocráticas, temos que proibir escritórios de advocacia ligados a ministros”, disse. Santos afirmou também que a proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1 é “claramente picaretagem que o presidente [Lula] e o Congresso fazem” durante ano eleitoral. Para ele, é preciso “flexibilização das leis trabalhistas com limites, naturalmente, de tempo de trabalho ao longo da semana”. Renan Santos é o quinto presidenciável a participar da sabatina promovida pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM). Lula não deve comparecer. Já participaram também os ex-governadores Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD). Na terça-feira (19), foi a vez de Flávio Bolsonaro, que foi recebido com aplausos de apoiadores, mas também enfrentou protestos de opositores, com vaias e gritos de “Vorcaro” e “rachadinha”. .Após a sabatina, Santos foi questionado sobre o feito da revelação das conversas entre Flávio e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Para ele, os principais beneficiados foram Zema, Caiado e Lula. Sobre o efeito para sua própria campanha, o pré-candidato disse que ele iria crescer nas pesquisas de intenção de voto "de qualquer forma", a despeito da divulgação das mensagens em que o senador do PL pede dinheiro a Vorcaro para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro. Na pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nessa semana Renan é o terceiro colocado, com 6,9%, seguido por Zema (5,2%). Lula somou 46,9% e o senador do PL, 39,7%. Na pesquisa de abril, o pré-candidato do Missão teve 5,3% das intenções de voto. Augusto Cury na Marcha dos Prefeitos Na manhã desta quinta-feira, o pré-candidato à Presidência pelo Avante, Augusto Cury, também participou do evento e afirmou que entrou no “teatro da política” por estar em “desacordo com essa polarização”. Sem citar o nome de Lula ou Flávio, Cury disse que é preciso fazer um projeto de governo para a sociedade, não “um projeto de ego ou de família”. Em entrevista após a participação no evento, o pré-candidato pelo Avante desconversou ao ser questionado sobre os áudios divulgados de Flávio com Vorcaro, mas disse que “quem vai decidir sobre a trajetória de vida política dele [Flávio] serão os próprios eleitores”. Cury afirmou ainda que é a favor do PL da dosimetria, já que “algumas pessoas não tinham plena consciência do que estava ocorrendo”. Disse também ser a favor da PEC que prevê o fim da escala 6x1, uma vez que “o melhor para os trabalhadores é a 5x2, porque as pesquisas mostram que os trabalhadores estão adoecendo”. O pré-candidato pelo Avante também falou sobre o Supremo. Segundo ele, é preciso “mitigar o poder do STF” e defendeu mandatos para os ministros, com o fim da vitaliciedade.
Renan recusa título de 'terceira via' e se diz capaz de atrair eleitores de Lula e Flávio
Em evento em Brasília, pré-candidato do Missão critica PEC do fim da escala 6x1, elogia PL da dosimetria e fala em aumentar número de ministros do STF













