Com margem mínima para candidato de esquerda, votos fora da apuração para serem submetidos a processos de verificação podem ter peso decisivo na escolha do presidente Roberto Sánchez e Keiko Fujimori, candidatos na disputa pela Presidência do Peru — Foto: Connie France e Ernesto Benavides/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 10/06/2026 - 09:08 Eleições no Peru: Roberto Sánchez lidera por margem estreita A eleição presidencial no Peru permanece indefinida com 97% das urnas apuradas. Roberto Sánchez lidera por 27 mil votos sobre Keiko Fujimori. O resultado final, previsto para julho, depende da verificação de 1.500 atas observadas, que podem alterar a vantagem de menos de 0,1%. Votos rurais favorecem Sánchez, enquanto os do exterior podem beneficiar Keiko. Autoridades pedem calma até a conclusão do processo. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Com 97% das urnas apuradas, a eleição presidencial no Peru continua totalmente indefinida, com o candidato de esquerda Roberto Sánchez (Juntos pelo Peru) a frente com uma vantagem de pouco menos de 27 mil votos em comparação à candidata de direita Keiko Fujimori (Força Popular). Com a margem mínima definindo a vitória momentânea, a contagem de cada voto ganhou um peso ainda mais decisivo — um processo que, segundo autoridades eleitorais, pode durar um mês. O porta-voz do Jurado Nacional de Eleições (JNE) — autoridade equivalente à Justiça Eleitoral no país sul-americano —, Pedro Valdívia, estimou na terça-feira que o resultado final só seria proclamado em meados de julho. O período, disse o funcionário, seria necessário para o processamento das "atas observadas" — documentos com os registros de atos e ocorrências das mesas de votação, enviados para a JNE para revisão e possível recontagem. — Temos mais ou menos um prazo de 30 dias, até meados de julho, porque ainda precisamos verificar como concluiremos o processamento das atas observadas e de outros pedidos das organizações políticas — disse Valdívia. — Esse é, aproximadamente, o prazo estimado para a proclamação dos resultados. Cerca de 1.500 atas observadas permanecem sujeitas ao processo de revisão, que tem por objetivo sanar vícios formais e garantir a contagem correta dos votos. Fora da apuração oficial no momento, a pequena quantidade de votos pode fazer a diferença em uma eleição que está sendo decidida por uma vantagem de menos de 0,1%. O jornal peruano El Comércio apurou que 37 processos teriam sido encaminhados para recontagem já nesta quarta-feira. Até o momento, ainda não se chegou a 100% das atas processadas, pois o retorno de material eleitoral proveniente de diferentes regiões do país e do exterior ainda continua acontecendo. Analistas apontam que os votos no estrangeiro e na região metropolitana de Lima podem favorecer Keiko, enquanto os votos de áreas remotas e rurais tendem a Sánchez, seguindo o padrão de apuração momentâneo e o registrado no primeiro turno. As eleições presidenciais no Peru em fotos: confira 1 de 12 O candidato à presidência do Peru, Roberto Sánchez, do partido Juntos por el Peru, discursa de uma sacada após a divulgação dos primeiros resultados do segundo turno das eleições presidenciais em Lima — Foto: Connie FRANCE / AFP 2 de 12 As urnas fecharam em 7 de junho de 2026, com as pesquisas de boca de urna indicando que Keiko Fujimori, candidata pela quarta vez, tinha uma vantagem mínima sobre seu rival de esquerda, Roberto Sánchez — Foto: Connie FRANCE / AFP X de 12 Publicidade 12 fotos 3 de 12 A disputa para saber quem será o nono presidente do Peru em uma década continua indefinida na tarde desta segunda-feira (8) — Foto: Anthony Nino de Guzman / AFP 4 de 12 Um funcionário eleitoral peruano exibe uma cédula a favor do candidato presidencial Roberto Sánchez — Foto: Connie FRANCE / AFP X de 12 Publicidade 5 de 12 Em sua quarta tentativa de chegar à Presidência, Keiko pediu paciência a seus apoiadores, afirmando que "teremos dias longos pela frente" — Foto: Connie FRANCE / AFP 6 de 12 Apoiadores do candidato presidencial peruano Roberto Sánchez dançam enquanto aguardam seu discurso — Foto: Connie FRANCE / AFP X de 12 Publicidade 7 de 12 Apoiadores do candidato presidencial peruano Roberto Sánchez — Foto: Connie FRANCE / AFP 8 de 12 Apoiador da candidata à presidência do Peru, Keiko Fujimori, pelo partido Fuerza Popular, acena com uma bandeira após a divulgação dos primeiros resultados do segundo turno — Foto: Anthony Nino de Guzman / AFP X de 12 Publicidade 9 de 12 A candidata à presidência do Peru, Keiko Fujimori, pelo partido Força Popular, acena após um discurso na sequência da divulgação dos primeiros resultados — Foto: MARTIN BERNETTI / AFP 10 de 12 Uma apoiadora da candidata à presidência do Peru, Keiko Fujimori, do partido Força Popular, exibe uma bandeira nacional com a inscrição em espanhol "Eu amo o Peru" — Foto: MARTIN BERNETTI / AFP X de 12 Publicidade 11 de 12 As primeiras páginas de jornais expostas em uma banca de jornal em Lima nesta segunda-feira (8) — Foto: MARTIN BERNETTI / AFP 12 de 12 As primeiras páginas de jornais expostas em uma banca de jornal em Lima nesta segunda-feira (8) — Foto: MARTIN BERNETTI / AFP X de 12 Publicidade A disputa é entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez Segundo o Ministério das Relações Exteriores do Peru, estima-se que os consulados de Paterson e Los Angeles (Estados Unidos), Buenos Aires (Argentina) e Roma (Itália), importantes centros eleitorais no exterior, enviem seu material ao longo desta quarta-feira. O mesmo ocorrerá com Moscou (Rússia), Bilbao (Espanha), Montreal (Canadá), Paris (França) e Tóquio (Japão). A Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE, na sigla em espanhol) informou que, devido a fatores climáticos, envelopes contendo atas provenientes de áreas de difícil acesso ainda não haviam sido transportados para os centros de apuração de Alto Amazonas, Atalaya, Coronel Portillo, Huanta, La Convención, Maynas e Requena. Enquanto o processo avança lentamente, os candidatos mantêm apelos à contenção e à calma. Tanto Keiko quanto Sánchez afirmaram que os resultados eleitorais devem ser respeitados, e mostraram, até o momento, prudência quanto a alegações de fraude eleitoral. Eleitores conferem as listas de eleitores do lado de fora de uma seção eleitoral durante o segundo turno das eleições em Lima, em 7 de junho — Foto: Marco Garro/Bloomberg O que são as atas observadas? Uma ata eleitoral é o documento no qual são registrados todos os atos e ocorrências de cada mesa de votação, desde sua instalação até o encerramento da votação. Ela é composta por três seções: ata de instalação, ata de votação e ata de apuração. Considera-se uma ata observada aquela que não pode ser contabilizada imediatamente no sistema de apuração porque apresenta erros materiais, como equívocos numéricos, inconsistências ou erros de transcrição detectados durante o processamento dos resultados. Essas atas não são incorporadas à contagem oficial até que a observação seja resolvida pela autoridade eleitoral competente. Uma vez sanada a observação, os votos registrados na ata podem ser incluídos nos resultados do processo eleitoral. Funcionários eleitorais contam votos logo após fechamento das urnas no domingo — Foto: Anthony Nino de Guzman / AFP A Oficina Descentralizada de Processos Eleitorais (ODPE) é responsável por encaminhar as atas observadas ao respectivo órgão da jurisdição eleitoral, acompanhadas de um relatório e da cópia da ata destinada ao próprio órgão. Com isso, o órgão deverá emitir uma decisão — em primeira instância — comparando a ata observada pela ODPE com o exemplar sob sua responsabilidade. A decisão pode ser objeto de recurso ao Plenário do JNE no prazo de três dias, contados a partir do dia seguinte à sua publicação. O JNE analisará a ata observada em audiência pública e, posteriormente, se pronunciará em última e definitiva instância no prazo de três dias a partir do dia seguinte ao recebimento do processo. Por fim, uma vez resolvida a situação da ata, ela é devolvida à ODPE para ser incorporada à apuração dos resultados. O que é a recontagem de votos? A recontagem de votos é o procedimento pelo qual o Jurado Eleitoral Especial realiza uma nova contagem dos votos físicos utilizando as cédulas armazenadas nos envelopes lacrados enviados pela Oficina Descentralizada de Processos Eleitorais. Segundo o JNE, esse procedimento é realizado para evitar que erros nas atas acabem anulando injustamente a própria ata ou a votação de um partido ou candidato. Em quais casos a recontagem de votos é aplicada? Quando há informações incompletas ou ilegíveis, ou seja, atas sem assinaturas, com dados faltantes ou que não podem ser corrigidos por meio da conferência documental. Quando os números não fecham, isto é, quando a quantidade de votos (de partidos, nulos ou em branco) supera o número total de votantes ou de eleitores habilitados. Quem participa da recontagem de votos? A presença é obrigatória para os integrantes do plenário do órgão judicial de primeira instância: o presidente, o segundo e o terceiro membro. Também é obrigatória para o secretário da autoridade, o especialista em tecnologia da informação e o operador multimídia. Opcionalmente, podem estar presentes os representantes legais das organizações políticas e um representante do Ministério Público. Como funciona o procedimento de recontagem de votos? O presidente do JEE abre o envelope lacrado que contém as cédulas de votação. Em seguida, realiza-se a nova contagem dos votos. Além disso, as cédulas são exibidas aos presentes, uma a uma, por meio de recursos tecnológicos. O conteúdo de cada cédula deve ser lido em voz alta pelo presidente e, posteriormente, a cédula deve ser apresentada aos demais membros. O segundo e o terceiro membro, por sua vez e individualmente, confirmam o conteúdo do voto. Os representantes legais das organizações políticas presentes na audiência têm o direito de examinar o conteúdo das cédulas por meio dos recursos tecnológicos disponibilizados. Concluída a recontagem de todas as cédulas, é lavrada a ata correspondente com os resultados finais. O documento é assinado pelos membros da justiça, pelo secretário, pelo representante do Ministério Público e pelos representantes das organizações políticas que desejarem fazê-lo. Durante a recontagem, os representantes partidários não podem impugnar as cédulas de votação nem questionar a identidade dos eleitores que emitiram os votos no dia da eleição e cujos votos estão sendo recontados. (Com El Comércio)