PUBLICIDADE Candidata de direita tem menos de mil votos à frente do rival de esquerda; resultado final pode levar semanas devido à análise de atas contestadas e votos do exterior Os candidatos à presidência do Peru, Keiko Fujimori (à direita), do partido Fuerza Popular, e Roberto Sánchez (à esquerda), do partido Juntos por el Peru, acenam durante um debate em Lima, antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 7 de junho — Foto: ERNESTO BENAVIDES/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 11/06/2026 - 08:10 Keiko Fujimori lidera eleição no Peru com 98,2% das urnas apuradas Keiko Fujimori retoma a liderança na corrida presidencial do Peru, com 98,2% das urnas apuradas, superando por pouco Roberto Sánchez. A vantagem mínima se deve, em parte, aos votos dos peruanos no exterior, onde Fujimori obteve forte apoio. A disputa permanece indefinida, com atas contestadas e votos pendentes, e o resultado final pode levar semanas. Fujimori e Sánchez adotam posturas cautelosas enquanto aguardam a conclusão oficial. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A candidata de direita Keiko Fujimori retomou a liderança na disputa presidencial do Peru na noite de quarta-feira, após uma virada impulsionada pelos votos dos peruanos que vivem no exterior. Com 98,2% das urnas apuradas, a filha do ex-presidente Alberto Fujimori aparece com 50,002% dos votos válidos, contra 49,999% do esquerdista Roberto Sánchez, segundo dados do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE). A diferença entre os dois candidatos é inferior a mil votos. Apenas horas antes, Sánchez mantinha uma vantagem de cerca de 30 mil votos, mas a chegada de novas atas, especialmente do exterior, alterou o cenário da disputa. Se a tendência se mantiver, a líder do partido Força Popular poderá se tornar a primeira mulher eleita presidente do país nas urnas. O voto dos peruanos residentes fora do país tem sido decisivo na reta final da apuração. Historicamente mais inclinado à direita, esse eleitorado deu ampla vantagem a Fujimori em países como Estados Unidos e Espanha. Nos EUA, onde vive cerca de 30% dos imigrantes peruanos, a candidata recebeu 76,5% dos votos. Na Espanha, segundo principal destino da diáspora peruana, obteve 60,1%. O mesmo pode ocorrer na Argentina, onde ela teve, até o momento, 61,3% dos votos. Apesar da mudança na liderança, o resultado segue indefinido. A autoridade eleitoral informou que a proclamação do vencedor dependerá da revisão das atas contestadas e da conclusão da contagem dos votos restantes. Segundo a ONPE, o processo será lento e complexo, o que pode adiar a proclamação do próximo presidente até meados de julho. Ainda assim, Fujimori afirmou estar “otimista e prudente” diante da evolução da apuração e disse que respeitará o resultado final. — Vamos esperar os números oficiais, mas sem dúvida, quando a contagem aumenta, sobretudo das atas que estão chegando do exterior, isso nos dá muito, muito ânimo — declarou à imprensa, pedindo também que Sánchez mantenha o compromisso de aceitar o resultado da eleição. — É preciso agir com muita cautela e responsabilidade. O importante é o que indicam as atas. Os fatos valem mais do que as narrativas. As palavras da candidata, no entanto, provocaram uma onda de comentários nas redes sociais. Muitos lembraram que, nas eleições de 2021, o Força Popular promoveu uma estratégia jurídica para anular cerca de 200 mil votos em regiões andinas onde Pedro Castillo havia obtido ampla vantagem. Além disso, a lembrança da fraude eleitoral de 2000, ocorrida no governo de Alberto Fujimori, ainda paira sobre a política peruana. E, nos últimos processos eleitorais, Keiko contestou resultados oficiais e denunciou uma fraude que jamais comprovou. Sánchez, por sua vez, elevou o tom da disputa. Embora inicialmente tenha dado sinais de que desistiria de contestar o resultado, depois reivindicou o direito de seus apoiadores de se mobilizarem. Porta-vozes do partido Juntos pelo Peru anunciaram uma marcha nacional para sexta-feira, com encerramento na Praça San Martín. Ele também citou a existência de “manobras e vontades para distorcer a democracia” e denunciou que simpatizantes de seu partido, que haviam montado acampamentos diante da sede do Júri Nacional de Eleições para “defender a vitória do povo”, foram retirados à força do local. — Defender uma vitória popular e o voto é um direito constitucional. Há uma convocação espontânea, e as pessoas têm esse direito. A democracia se defende — afirmou. Além dos votos ainda pendentes, a Justiça Eleitoral precisará analisar 1.635 atas observadas, equivalentes a cerca de 1,7% do total. Em uma disputa decidida por poucas centenas de votos, a revisão desses documentos pode ser determinante para o resultado final. Uma missão de observação eleitoral da União Europeia afirmou que o segundo turno transcorreu de forma “tranquila e ordenada”, apesar da forte polarização. Mesmo assim, o historiador José Ragas expressou dúvidas sobre o compromisso democrático da líder de direita, resumindo um dos principais temores do antifujimorismo: “Vocês acreditam que, depois de disputar quatro eleições ao longo de quinze anos, ser a única presidente de seu partido, mudar as regras do jogo, ocupar instituições, contar com o apoio de boa parte da elite e utilizar o capital político de sua família, Keiko Fujimori ficará apenas cinco anos no cargo e entregará o poder em 2031?”, escreveu. Esta é a quarta tentativa de Keiko Fujimori de chegar à Presidência. Já Sánchez disputa pela primeira vez o cargo máximo do país. O vencedor sucederá o presidente interino José María Balcázar em um mandato de cinco anos a partir de 28 de julho. (Com AFP)
Peru: com 98,2% das urnas apuradas, Keiko Fujimori retoma liderança e abre vantagem mínima sobre Sánchez
Candidata de direita tem menos de mil votos à frente do rival de esquerda; resultado final pode levar semanas devido à análise de atas contestadas e votos do exterior













