Pesquisas boca de urna e contagens rápidas apontaram resultados tão próximos que não conseguiram apontar um vencedor na disputa entre Keiko Fujimori e Roberto Sanchez Os candidatos à presidência do Peru, Keiko Fujimori (à direita), do partido Fuerza Popular, e Roberto Sánchez (à esquerda), do partido Juntos por el Peru, acenam durante um debate em Lima, antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 7 de junho — Foto: ERNESTO BENAVIDES/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 08/06/2026 - 08:06 Eleição Presidencial no Peru: Indefinição e Polarização Persistem A eleição presidencial no Peru permanece indefinida após o segundo turno, com 90% das urnas apuradas e Keiko Fujimori liderando por menos de um ponto percentual sobre Roberto Sanchez. As pesquisas de boca de urna indicam empate técnico, e ambos os candidatos evitam declarações de vitória. Este cenário reflete as profundas divisões políticas no país, com o vencedor enfrentando a tarefa de unir uma nação polarizada. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A disputa do segundo turno presidencial no Peru continua indefinida na manhã de segunda-feira, com a apuração dos votos indicando uma margem mínima de vantagem para a candidata de direita Keiko Fujimori — filha do ex-ditador Alberto Fujimori —, em relação ao adversário Roberto Sanchez. Com pouco mais de 90% das seções eleitorais apuradas, Keiko mantinha uma vantagem inferior a um ponto percentual. A contagem indica uma liderança para a candidata de direita, com 50,4% contra 49,6%. Aliados de Sanchez, por outro lado, demonstravam otimismo com o fato da apuração ainda estar em andamento em zonas rurais, onde ele dominou amplamente. Em declarações na noite de domingo, os candidatos evitaram antecipar anúncios de vitória. Keiko afirmou que "teremos dias longos pela frente", enquanto Sanchez disse a apoiadores que a disputa estava em "empate técnico" e que tudo ainda estava em aberto. Pesquisas de boca de urna e contagens rápidas também indicavam ser impossível apontar um vencedor claro. — O resultado reflete as divisões do país — afirmou Paulo Vilca, analista político do Instituto de Estudos Peruanos. — Quem vencer terá metade do país contra si. Muitos eleitores esperavam que a eleição colocasse um ponto final em anos de caos político, período em que uma sucessão de presidentes foi presa, destituída ou sofreu impeachment. A votação de domingo, para a qual foram convocados 27 milhões de eleitores, aconteceu sem incidentes, ao contrário do caótico primeiro turno de abril. — Estou feliz porque sei que ela vai fazer um bom governo. Por quê? Porque ela quer limpar a imagem do pai — afirmou Gladys Silva, dona de casa de 56 anos, durante o evento do partido de Fujimori em Lima. Sánchez, congressista e ex-ministro de 57 anos, reivindica o legado camponês de Pedro Castillo, que foi destituído e preso após tentar uma manobra para fechar o Congresso. Como demonstração de lealdade, usa o chapéu camponês que ganhou do ex-presidente, e prometeu indultá-lo. — Queremos mudança porque estamos cansados da corrupção, do fujimorismo que administra o país como se fosse sua chácara — disse Marlene Veramendi, de 46 anos. 'Legitimidade frágil' Sob a palavra "ordem", Keiko prometeu prosperidade e advertiu sobre o perigo do "comunismo". Por sua vez, Sánchez moderou seu discurso, que pregava "mudança radical" no primeiro turno, distanciou-se de ultranacionalistas e disse querer uma relação "respeitosa" com Washington. O esquerdista acusa Keiko de integrar uma "ditadura" do Congresso, que tem derrubado presidentes de forma reiterada. O próprio Sanchez observa a perspectiva de ter que travar embates com os deputados peruanos, à sombra de uma denúncia por supostas anomalias financeiras em seu partido. Se eleito, ele terá imunidade, mas ficará vulnerável diante de um Parlamento inclinado à direita. — O eleito terá metade do país contra si e uma legitimidade frágil, razão pela qual, sem maioria legislativa, deverá construir uma coalizão para governar — disse Vilca. O vencedor substituirá a partir de 28 de julho o presidente interino José María Balcázar. (Com AFP) *Matéria em atualização