Eleições no Peru: Keiko Fujimori e Aliaga lideram apuração dos votosCerca de 63 mil eleitores não conseguiram votar no domingo, 12, por falta de cédulas, urnas e outros materiais, e terão nova chance nesta segunda. Crédito: AFPGerando resumoA candidata de direita Keiko Fujimori liderava a disputa pela Presidência do Peru na noite deste domingo, 7, segundo os primeiros resultados oficiais do segundo turno. Com 36% das urnas apuradas, ela somava 52,6% dos votos válidos, contra 47,4% do candidato de esquerda Roberto Sánchez. O percentual ainda era insuficiente para apontar um vencedor de forma definitiva.PUBLICIDADEA eleição ocorre em meio a uma prolongada crise institucional que levou o país a ter oito presidentes na última década e a um aumento da preocupação da população com a violência e o avanço do crime organizado.Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, Keiko disputa a Presidência pela quarta vez. Aos 51 anos, a ex-congressista apostou durante a campanha em um discurso de ordem, estabilidade econômica e combate à criminalidade, além de resgatar parte do legado de seu pai, cuja gestão é lembrada tanto pela estabilização da economia e pelo combate à insurgência quanto por violações de direitos humanos.Keiko Fujimori, candidata presidencial del partido Fuerza Popular, saluda con la mano tras votar en las elecciones generales celebradas en Lima, Perú, el domingo 12 de abril de 2026. (Foto AP/Gerardo Marín) Foto: Gerardo MarinSeu adversário, Roberto Sánchez, de 57 anos, é deputado e ex-ministro e se apresenta como herdeiro político do ex-presidente Pedro Castillo, preso após a tentativa fracassada de dissolver o Congresso em 2022. Durante a campanha, Sánchez prometeu conceder indulto a Castillo caso seja eleito.PublicidadeA votação mobilizou cerca de 27 milhões de eleitores e transcorreu sem grandes incidentes, diferentemente do primeiro turno realizado em abril, marcado por problemas técnicos e denúncias de fraude.Para analistas, o resultado parcial evidencia a divisão do eleitorado peruano. “O resultado expressa a fragmentação do país e mostra que não há forças políticas hegemônicas”, afirmou à AFP o cientista político Paulo Vilca. Segundo ele, qualquer que seja o vencedor, assumirá o governo com uma base de apoio limitada.Leia maisPeru escolhe novo presidente em duelo entre os herdeiros de um autocrata e um golpistaCandidato da esquerda à Presidência do Peru é enviado a julgamento às vésperas do 2º turnoMP do Peru pede prisão de Roberto Sánchez, candidato de esquerda que vai ao 2º turno nas eleiçõesSegurança domina campanhaA segurança pública foi o principal tema da disputa. O Peru enfrenta um avanço das organizações criminosas e um aumento expressivo dos casos de extorsão, que cresceram nove vezes nos últimos cinco anos.Keiko defende medidas mais rígidas de combate ao crime, incluindo a militarização de presídios e de áreas consideradas críticas, além da deportação de estrangeiros envolvidos em atividades criminosas.PublicidadeSánchez, por sua vez, atribui o crescimento da violência à corrupção nas forças de segurança e no sistema de Justiça. Sua proposta central é reforçar o combate a essas práticas e ampliar a atuação do Estado nas regiões mais pobres do país.As bases eleitorais dos dois candidatos refletem essa divisão. Fujimori concentra apoio em Lima e em centros urbanos, enquanto Sánchez tem maior força nas áreas rurais e mais pobres do interior peruano.Economia estável, mas informalidade elevadaO próximo presidente assumirá o cargo em 28 de julho, substituindo o interino José María Balcázar para um mandato de cinco anos.PUBLICIDADEEmbora o Peru apresente indicadores macroeconômicos relativamente sólidos — com crescimento de 3,4% do Produto Interno Bruto (PIB) e inflação sob controle —, o país ainda convive com altos níveis de informalidade. Atualmente, cerca de sete em cada dez trabalhadores atuam fora do mercado formal.Na área econômica, Keiko defende políticas pró-mercado, incentivo ao investimento privado e respeito às regras fiscais. Sánchez promete reajustes salariais e maior presença do Estado na economia, mas tem buscado tranquilizar investidores ao afirmar que manterá a abertura econômica e a independência do banco central./com informações de AFP