Candidata de direita recebeu 50,7% dos votos contra 49,3% do esquerdista Roberto Sánchez, segundo levantamento da Ipsos Roberto Sánchez (à esquerda) e Keimo Fujimori (à direita), candidatos à Presidência do Peru — Foto: AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 07/06/2026 - 20:39 Keiko Fujimori lidera segundo turno no Peru em disputa acirrada Keiko Fujimori lidera levemente as pesquisas de boca de urna no segundo turno presidencial do Peru, com 50,7% contra 49,3% do esquerdista Roberto Sánchez, segundo Ipsos. A eleição, marcada por instabilidade política, reflete a divisão entre promessas de prosperidade e temores de "comunismo". Com ambos os candidatos sem maioria no legislativo, o novo presidente precisará formar alianças para governar. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A candidata de direita Keiko Fujimori lidera ligeiramente as pesquisas de boca de urna contra o candidato de esquerda Roberto Sánchez, antes do segundo turno das eleições presidenciais deste domingo no Peru, marcado por instabilidade política e criminalidade. Fujimori obteve 50,7% dos votos, contra 49,3% de Sánchez, segundo a empresa de pesquisas Ipsos; e 50,5% contra 49,5%, segundo o Datum, indicando um empate técnico. No segundo turno das eleições de 2021, Keiko começou vencendo por 0,6 ponto percentual. Depois, na apuração rápida, ela ficou 0,4 ponto percentual atrás de Pedro Castillo e, no final, acabou perdendo por 0,4 ponto percentual. Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori (1990-2000), enfrenta Sánchez em sua quarta tentativa de chegar à presidência. Seu adversário ganhou força na reta final, empatando com ela nas pesquisas. — Temos que escolher entre o "mal menor", a história está se repetindo. Estamos em uma crise que já dura mais de uma década — disse Renzo Masa, um estudante de 23 anos, à AFP após votar. Após um número recorde de presidentes eleitos desde 2016, cerca de 27 milhões de eleitores devem escolher um presidente para um mandato de cinco anos, o nono presidente em uma década, após um declínio recorde no número de presidentes. As urnas fecharam às 17h, horário local (19h de Brasília), após um dia sem grandes incidentes, ao contrário do primeiro turno caótico, marcado por falhas técnicas e alegações de fraude. Juntos, os dois candidatos não ultrapassaram os 30% no primeiro turno, em abril, marcado por problemas logísticos e alegações de fraude que aumentaram a desconfiança nas instituições peruanas. Fujimori, uma administradora de 51 anos, apela para o legado ambivalente de seu pai, que estabilizou a economia, derrotou a insurgência, mas foi acusado de crimes contra a humanidade. Sánchez, um congressista de 57 anos e ex-ministro, defende a herança camponesa do ex-presidente Pedro Castillo, um professor rural preso pela tentativa fracassada de autogolpe de 2022. Como demonstração de lealdade, Sánchez aguardou os resultados da pesquisa de boca de urna na prisão onde seu mentor está encarcerado, a quem prometeu conceder indulto. 'Comunismo' ou 'ditadura' Em meio à multidão de apoiadores e jornalistas, Fujimori, candidata da Fuerza Popular, e Sánchez, do Juntos por el Perú, votaram na zona leste de Lima. "Temos grandes esperanças", disse o candidato de esquerda. Fujimori promete prosperidade e alerta para o "perigo do comunismo". "Esta eleição é entre ordem e retrocesso", afirmou ela. — Votei na Keiko porque ela representa a estabilidade. Infelizmente, não lhe demos a oportunidade de governar — declarou Luis Bernaola, um técnico em eletrônica de 44 anos. Sánchez moderou sua retórica de "mudança radical", distanciou-se dos ultranacionalistas e disse à AFP que deseja uma relação "respeitosa" com Washington. O candidato esquerdista, que sempre usa o chapéu que ganhou de Castillo, a quem planeja perdoar, acusa Fujimori de fazer parte da "ditadura" do poderoso Congresso que destitui presidentes, onde ela exerce influência. Sem afetar o segundo turno das eleições, um juiz ordenou que ele fosse a julgamento por supostas irregularidades financeiras dentro de seu partido. Se ele vencer a presidência, terá imunidade parlamentar, embora esteja vulnerável a um parlamento de direita. — Precisamos de mudança. O equilíbrio de poder é importante. Tenho mais medo da Keiko do que do Sánchez — contou Juan Salas, um comerciante de 32 anos. Nenhum dos candidatos possui maioria no legislativo. O futuro presidente terá que formar alianças se quiser concluir seu mandato, opinou o analista Jeffey Radzinsky. O vencedor substituirá o presidente interino José María Balcázar em 28 de julho. — Quem quer que vença, deslegitimará o resultado se a disputa for acirrada. Isso traz mais instabilidade — avaliou o sociólogo David Sulmont. Extorsão, a questão mais crítica Apesar da desilusão política, a maior preocupação dos peruanos é a insegurança em um país onde gangues criminosas proliferam e os relatos de extorsão aumentaram nove vezes em cinco anos. — É a questão mais crítica. Espero que acabem com o crime — destacou Carlos Altamirano, um engenheiro de 49 anos, à AFP após votar na zona norte de Lima. Fujimori defende uma abordagem linha-dura: militarizar prisões e zonas de conflito, e expulsar migrantes para erradicar, segundo ela, o "flagelo social" com a "mesma força" que seu pai usou para derrotar a insurgência na década de 1990. Sánchez propõe combater a corrupção na polícia e no Judiciário, denunciando o que considera cumplicidade entre as elites políticas e o crime organizado. Sua base social está no campo empobrecido e negligenciado, onde a insegurança é menor. A base de Fujimori está em Lima, que em 2025 triplicou sua taxa de homicídios em comparação com 2020, chegando a 23 por 100 mil habitantes. O vencedor herdará um Peru economicamente estável, com crescimento do PIB de 3,4% e baixa inflação. No entanto, sete em cada dez trabalhadores estão na economia informal. Fujimori defende políticas neoliberais, respeito à propriedade privada e atração de investimentos. Sánchez ofereceu aumentos salariais e tentou tranquilizar os investidores, prometendo manter a abertura econômica e a independência do Banco Central, que é estratégico.