A direitista Keiko Fujimori retomou com uma vantagem mínima a liderança do segundo turno nas eleições presidenciais do Peru, impulsionada pelo forte apoio de peruanos que vivem no exterior. Com 98,248% das urnas apuradas, a filha do ex-ditador Alberto Fujimori tinha 50,002% contra 49,998% do esquerdista Roberto Sánchez, uma distância de apenas 595 votos. A maior parte dos votos restantes a serem contabilizados corresponde a cédulas contestadas, segundo a autoridade eleitoral peruana. Apenas 9 das mais de 90 mil seções eleitorais ainda aguardam contagem, enquanto cerca de 1.600 urnas — representando aproximadamente 400 mil votos — foram encaminhadas para análise pelo Júri Nacional de Eleições (JNE). A revisão deve levar semanas. Segundo analistas, a maior parte dos votos contestados vem da região metropolitana de Lima, principal reduto eleitoral de Keiko Diante da possibilidade da vitória da candidata de direita, que defende políticas pró-mercado e medidas rígidas de combate ao crime, os mercados praticamente reverteram as perdas registradas na sexta-feira, quando Sánchez — que prometeu reformar a economia peruana, fortemente dependente da mineração — avançou nas pesquisas. O principal índice da bolsa peruana subiu 3,94%% ontem, enquanto o sol peruano caiu 0,56% frente ao dólar, para 3,39 por dólar. Depois de terminar em segundo lugar nas três últimas eleições presidenciais, a filha do ex-presidente Alberto Fujimori pode finalmente assumir um dos cargos públicos mais instáveis do mundo. O Peru teve nove presidentes na última década. “A margem será muito apertada”, disse Guillermo Loli, diretor sênior do instituto de pesquisas Ipsos Peru, mas Sánchez “já não tem muitos caminhos para continuar na disputa”. Uma vitória de Keiko também ampliaria a lista de líderes de direita que ascenderam na América Latina com o apoio de Donald Trump, entre eles o chileno José Antonio Kast, o equatoriano Daniel Noboa e o boliviano Rodrigo Paz. O próximo presidente do Peru tomará posse no mês que vem para um mandato de cinco anos. No entanto, diante de um resultado tão apertado, é improvável que as tensões políticas desapareçam tão cedo, afirmou Eileen Gavin, principal analista para as Américas da empresa de inteligência de risco Verisk Maplecroft. “A legitimidade de quem assumir o cargo em 28 de julho será fortemente contestada, e o ambiente político doméstico, febril e polarizado, permanecerá sem solução”, escreveu ela em uma nota. Os dois candidatos permaneceram tecnicamente empatados durante toda a apuração. Keiko liderava as pesquisas de boca de urna, enquanto Sánchez aparecia ligeiramente à frente na contagem rápida do instituto Ipsos.
Keiko volta a liderar apuração no Peru
Autoridades eleitores começam a verificar votos contestados; direitista tinha vantagem de apenas 595













