0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A seleção de Curação se classificou pela primeira vez para uma Copa do Mundo — Foto: Pong Pong/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 09/06/2026 - 22:28 Expansão da Copa para 48 seleções gera debate sobre qualidade e essência A ampliação da Copa do Mundo para 48 seleções levanta questões sobre a qualidade e a essência do torneio. Enquanto a globalização e o aumento de seleções com jogadores renomados justificam a mudança, há preocupações sobre a perda de solenidade dos jogos e a competitividade. Com mais equipes e partidas, o torneio pode se tornar menos atrativo, e o modelo de classificação pode levar a estratégias defensivas. Além disso, a logística para sediar um evento dessa magnitude é desafiadora, afetando a magia de reunir o mundo em um único local. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A resposta mais justa parece ser: a Copa do Mundo era “mais perfeita” antes, com 32 seleções. No entanto, há uma série de ponderações a fazer. A começar pela compreensão do mundo real que nos cerca, em que a globalização e uma sociedade hiperconectada fazem a informação circular de forma instantânea e o jogo se desenvolver de forma rápida em qualquer região. E se há, hoje, muito mais seleções com jogadores internacionalmente conhecidos, times capazes de estar no torneio, é natural que cresça a ambição de estar presente. A Copa ampliada atende a esta realidade e ao já brutal alcance de um megaevento como esse. E há uma indústria, um negócio bilionário em torno da Copa. A lógica, no futebol e em qualquer esporte, tem sido a ampliação das competições: mais jogos, mais times, mais dinheiro. Era difícil imaginar a Copa do Mundo fora disso. Mas há riscos graves. Alguns envolvem a forma como o mundo vai consumir o produto. A Copa construiu a noção de que cada jogo é um evento solene, o único motivo pelo qual paramos para ver Rússia x Arábia Saudita na abertura de 2018 ou Catar x Equador quatro anos depois. Agora, este teste de sedução será levado ao limite. Não serão 64 partidas em 30 dias, mas 104 em 39. É como se, na data em que o Mundial tradicional acabasse, ainda restassem nove dias de torneio. A largada terá 27 dias sem pausa, muitos deles com quatro jogos. Esta primeira experiência nos fará entender se cada partida perderá aquela sensação de vivência única, marcante, ou se a exaustiva maratona fará com que muitas histórias se percam num mar de memórias. Acompanhar todo o torneio será quase impossível para o espectador comum. Mas são as ameaças ao aspecto esportivo as mais perigosas. Serão 72 jogos só na fase de grupos — mais do que uma Copa inteira no formato anterior — para eliminar um terço dos participantes, num processo que agride a isonomia competitiva. Uzbequistão se classificou para a Copa do Mundo pela primeira vez — Foto: Reprodução / Federação de Futebol do Uzbequistão Com 48 times, seguirão adiante oito dos 12 terceiros colocados, que terão suas pontuações comparadas após enfrentarem adversários diferentes. Para piorar, a ampliação do número de países cria outra distorção. Três empates podem bastar É verdade que o mundo das seleções é cada vez mais equilibrado, que são raros os times deste Mundial sem um ou vários jogadores em ligas desenvolvidas. Mas, provavelmente, ainda veremos times frágeis, inexperientes. Quem cair no grupo de um deles terá o caminho pavimentado para a segunda fase com apenas uma vitória por boa margem de gols. Ou seja, o sorteio terá sido determinante como nunca. Mas o maior dos problemas é o tipo de futebol que veremos. Não o nível dos jogos, que pode sofrer, embora a globalização pareça minimizar o dano. O fato é que a ampliação do contingente trará para a Copa um número extra de times com menores ambições. E num regulamento que classifica até três seleções por grupo, a probabilidade de avançar com 3 pontos é muito real. Ou seja, três empates podem bastar. Neste caso, teremos duas consequências: muitas estratégias conservadoras, ultradefensivas, além da possibilidade de um time chegar longe sem vencer uma só partida. A atratividade pode sofrer, algo grave para um torneio que aposta no aumento industrial do número de jogos. Para o futuro, fica outra questão: que país, exceção feita à ditadura saudita, será capaz de sediar Copas com 48 times? Em 2026, o torneio se espalha por um continente; em 2030, por América do Sul, África e Europa. É como se o Mundial perdesse um de seus propósitos, a magia dos encontros, do mundo reunido num só lugar, ainda mais em tempos tão conflituosos. É a Copa do Mundo sem um centro nervoso, um coração. Mas a roda precisa girar e gerar os quase R$ 50 bilhões que a Fifa espera arrecadar. Envie sua pergunta para esporteglb@oglobo.com.br