Governo enfrenta pressão de defensores de linha mais dura contra imigração, que lamentam autoridades não conseguirem alcançar meta de um milhão de deportações por ano Migrantes venezuelanos aguardam para cruzar a fronteira após audiência de asilo pelo app CBP One, em Ciudad Juárez, no México — Foto: Alejandro Cegarra/The New York Times RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 10/06/2026 - 02:25 Congresso dos EUA aprova US$ 70 bi para ofensiva migratória de Trump O Congresso dos EUA aprovou um projeto de US$ 70 bilhões para financiar a ofensiva migratória de Trump, destinando verbas ao ICE e à Patrulha de Fronteira. A medida é celebrada por republicanos, enquanto democratas criticam o "cheque em branco" e a falta de reformas no ICE. O projeto excluiu propostas de Trump, como um salão de baile na Casa Branca, e um fundo contra "politização da Justiça". CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Congresso dos Estados Unidos aprovou nesta terça-feira um projeto de lei de US$ 70 bilhões (cerca de R$ 362 bilhões) que financia a ofensiva migratória do presidente Donald Trump durante o restante de seu mandato. A medida, aprovada nesta terça-feira pela Câmara dos Representantes e na semana passada pelo Senado, segue agora para o gabinete de Trump para sua promulgação. Para o presidente republicano, ela representa uma vitória em um de seus temas políticos mais emblemáticos. O projeto prevê cerca de US$ 38 bilhões (R$ 196 bilhões) para o Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE), aproximadamente US$ 26 bilhões (R$ 134 bilhões) para a Patrulha de Fronteira (CBP) e quase US$ 5 bilhões (R$ 26 bilhões) adicionais para custos imprevistos. Esses recursos somam-se aos quase US$ 140 bilhões (R$ 724 bilhões) já aprovados no ano passado pelo Congresso, de maioria republicana, destinados ao combate à imigração. O governo de Donald Trump enfrenta a pressão dos defensores de uma linha mais dura contra a imigração, que lamentam que as autoridades não tenham conseguido alcançar a meta de um milhão de deportações por ano. Migrantes se organizam contra operações nos EUA 1 de 10 Cuidado com 'gelo' nas ruas: migrantes se organizam contra operações nos EUA — Foto: Mark Felix/AFP 2 de 10 Com mensagem diária no Facebook, mexicana Martina Grifaldo alerta comunidade latina de Houston sobre operações do Serviço de Imigração — Foto: Mark Felix/AFP X de 10 Publicidade 10 fotos 3 de 10 As detenções de imigrantes sem documentos, e até de pessoas com visto ou cidadania, se intensificaram nos últimos meses — Foto: Mark Felix/AFP 4 de 10 Ações ocorrem em meio à política de deportações em massa do presidente Donald Trump. — Foto: Mark Felix/AFP X de 10 Publicidade 5 de 10 Estratégia tem ampliado o medo em bairros latinos, onde agentes já foram flagrados quebrando vidros de carros e retirando passageiros sem justificativa clara — Foto: Mark Felix/AFP 6 de 10 Martina, Francisco Mendoza (à esquerda) e outros voluntários recebem relatos sobre possíveis operações e os publicam em tempo real em sua página no Facebook — Foto: Mark Felix/AFP X de 10 Publicidade 7 de 10 Para avisar sobre a presença do ICE, os migrantes usam a figura de um cubo de gelo, tradução literal da sigla, ao lado de um ícone de policial — Foto: Mark Felix/AFP 8 de 10 Ela transmite ao vivo suas patrulhas pelos bairros latinos de Houston, a quarta cidade mais populosa do país e a maior do Texas — Foto: Mark Felix/AFP X de 10 Publicidade 9 de 10 Segundo os ativistas, muitos agentes não se identificam, não apresentam mandados e às vezes atuam mascarados e com coletes militares — Foto: Mark Felix/AFP 10 de 10 Durante as transmissões, migrantes enviam saudações e agradecimentos — Foto: Mark Felix/AFP X de 10 Publicidade Grupos usam a palavra gelo, referência à agência anti-imigração Tom Homan, um dos arquitetos desse programa de deportações dentro do governo, prometeu nesta terça-feira uma intensificação das operações, especialmente em Nova York, cidade que vota majoritariamente nos democratas. "Cheque em branco" O presidente da Câmara dos Representantes, o republicano Mike Johnson, comemorou em um comunicado após a votação o fato de que "os democratas não poderão retirar o financiamento" do ICE e da CBP nos próximos anos. A aprovação ocorre após vários meses de controvérsias em torno das práticas do ICE e da CBP. Os democratas exigiam reformas significativas nessas duas agências desde a morte, em Minneapolis, em janeiro, de Renee Good e Alex Pretti, dois americanos mortos por agentes federais à margem de manifestações contra as operações do ICE naquela cidade do norte dos Estados Unidos. "Consideramos que o dinheiro dos contribuintes deveria ser usado para tornar a vida mais acessível para os americanos, e não para dar um novo cheque em branco de US$ 70 bilhões ao ICE", afirmou na segunda-feira o líder da minoria democrata na Câmara, Hakeem Jeffries. México constrói abrigos para migrantes antes das deportações dos EUA 1 de 8 Porta na fronteira EUA-México em El Paso, Texas, em 22/01/2025; governo americano promete realizar a maior deportação de migrantes da História dos Estados Unidos — Foto: Cecilia Sanchez / AFP 2 de 8 Abrigo de migrantes em Ciudad Juárez, México, 15 de janeiro de 2025; país prepara centro de recepção para milhares de deportados dos EUA — Foto: Cesar Rodriguez/The New York Times X de 8 Publicidade 8 fotos 3 de 8 Membro da Marinha Mexicana passa por abrigo temporário na fronteira México-EUA, em Matamoros, México, 22/01/2025 — Foto: Quetzalli Blanco / AFP 4 de 8 Membro da Marinha Mexicana monta guarda durante a construção de um abrigo temporário na fronteira México-EUA, em Matamoros, México, 22/01/2025 — Foto: Quetzalli Blanco / AFP X de 8 Publicidade 5 de 8 Membros da Marinha Mexicana iniciam a construção de um abrigo temporário na fronteira México-EUA, em Matamoros, México, 22/01/2025 — Foto: Quetzalli Blanco / AFP 6 de 8 Militares mexicanos constroem abrigo temporário na fronteira México-EUA, em Matamoros, México, 22/01/2025 — Foto: Quetzalli Blanco / AFP X de 8 Publicidade 7 de 8 Migrantes do México aguardam suas consultas em 20 de janeiro de 2025; plano de receber deportados envolve nove centros de recepção na fronteira — Foto: Paul Ratje/The New York Times 8 de 8 Vista aérea da fronteira EUA-México em El Paso, Texas, em 22/01/2025 — Foto: Cecilia Sanchez / AFP X de 8 Publicidade Iniciativa ‘México abraça você’ busca tranquilizar migrantes indocumentados que deverão ser expulsos dos Estados Unidos Em fevereiro, a oposição dos parlamentares democratas levou o Departamento de Segurança Interna a uma paralisação orçamentária recorde de mais de 70 dias. O que ficou de fora Os democratas pediam mais restrições à forma de atuação do ICE, em particular o uso sistemático de câmeras corporais por seus agentes. O texto aprovado nesta terça-feira acabou não incluindo essas reformas solicitadas pela oposição. Várias medidas defendidas por Trump também não constam do projeto de lei, em especial os US$ 1 bilhão (R$ 5,1 bilhões) para a construção de um salão de baile na Casa Branca, projeto fortemente desejado pelo presidente republicano. Também ficou de fora o fundo de quase US$ 1,8 bilhão (R$ 9,3 bilhões) contra a suposta "politização da Justiça", destinado, segundo o governo, a indenizar pessoas apresentadas como vítimas do sistema judicial. A oposição democrata denunciou a proposta como uma "caixa-preta" que poderia beneficiar, em particular, apoiadores de Trump que invadiram o Capitólio em Washington no dia 6 de janeiro de 2021. Vários parlamentares republicanos também haviam manifestado oposição a essa iniciativa.