Republicanos aprovam recursos para ampliar fiscalização migratória após maratona de votações e derrotam propostas para limitar controverso fundo de compensação ligado a Trump A sede da Câmara dos Deputados e do Senado dos EUA, o Capitólio — Foto: Mandel NGAN / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 05/06/2026 - 09:12 Senado dos EUA aprova projeto de US$ 70 bi para reforçar imigração O Senado dos EUA aprovou um projeto republicano de US$ 70 bilhões para fortalecer a fiscalização migratória, destacando a postura linha-dura de Trump em ano eleitoral. A aprovação, por 52 votos a 47, ocorreu após derrotarem propostas de limitar um fundo controverso de compensação ligado a Trump. A votação revelou divisões internas no Partido Republicano, mas consolidou a estratégia de financiamento do ICE e CBP. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Os republicanos do Senado dos Estados Unidos aprovaram na madrugada desta sexta-feira um projeto de US$ 70 bilhões para financiar a ofensiva migratória de Donald Trump até o fim de seu mandato. A medida foi feita dias após derrotarem iniciativas bipartidárias que buscavam incluir dispositivos para barrar ou restringir um fundo federal de compensação destinado a aliados políticos do presidente. A proposta foi aprovada por 52 votos a 47 e segue agora para a Câmara dos Representantes, que deve agir rapidamente para aprová-la. A votação representa uma vitória para Trump e o Partido Republicano, que têm procurado destacar sua postura linha-dura em relação à imigração — e a oposição dos democratas a ela — em um ano eleitoral em que o controle do Congresso está em jogo. A senadora Lisa Murkowski, do Alasca, foi a única republicana a votar contra a medida, juntando-se aos democratas. A aprovação, porém, só veio depois que líderes republicanos conseguiram conter uma rebelião interna que se arrastava havia semanas. O descontentamento foi alimentado por decisões recentes de Trump que evidenciaram o distanciamento entre sua agenda pessoal e os interesses políticos do partido. As divisões chegaram a ameaçar a tramitação do projeto e levaram alguns republicanos a apoiar tentativas bipartidárias de alterá-lo. Todas fracassaram em uma longa sequência de votações realizadas ao longo de toda a quinta-feira e que se estenderam até as primeiras horas da manhã desta sexta. A sessão foi marcada por uma série de votações organizadas pelos democratas para forçar os republicanos a se posicionarem formalmente sobre medidas impopulares defendidas pelo presidente. Entre elas estavam o plano de criar um fundo de US$ 1,8 bilhão para compensar pessoas que Trump afirma terem sido vítimas do governo; o pedido de US$ 1 bilhão em recursos federais para a construção de um salão de bailes na Casa Branca; e a nomeação do secretário de Habitação, Bill Pulte, para o principal cargo da inteligência americana. Embora os republicanos tenham permanecido unidos em torno do projeto de imigração, a proposta se transformou em um raro foco de resistência interna a Trump. Parlamentares republicanos se insurgiram contra o fundo de compensação e o projeto do salão de bailes, temendo, entre outras coisas, que os recursos pudessem beneficiar integrantes da multidão pró-Trump que invadiu o Capitólio em 6 de janeiro de 2021. No fim, porém, apesar de alguns senadores terem rompido com o presidente em votações específicas ao longo da madrugada, a maioria deixou as divergências de lado e se uniu para derrotar as tentativas democratas de limitar a atuação de Trump. O resultado consolidou a estratégia republicana de recorrer a um mecanismo orçamentário especial, protegido contra obstrução parlamentar, para aprovar um amplo pacote plurianual de financiamento para o Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) e para a Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP), apesar da oposição unificada dos democratas. Os republicanos recorreram à manobra depois que os democratas se recusaram a apoiar novos recursos para a política migratória de Trump sem impor restrições adicionais às práticas adotadas pelos agentes federais responsáveis por executá-la. Mas o instrumento escolhido pelos republicanos, conhecido como projeto de reconciliação orçamentária, permite a apresentação ilimitada de emendas. Os democratas aproveitaram essa brecha para colocar os republicanos em situações politicamente delicadas ao longo de toda a quinta-feira e da madrugada seguinte. Os trabalhos começaram de forma lenta quando os republicanos tiveram dificuldade para derrotar uma primeira tentativa democrata de impedir a criação do fundo que poderia compensar aliados políticos de Trump. A iniciativa paralisou os trabalhos do plenário por horas. Um grupo de republicanos favorável à proposta tentou usar seus votos — essenciais para manter o projeto de imigração em andamento — para garantir que suas próprias emendas relacionadas ao fundo fossem submetidas à votação. A proposta democrata acabou rejeitada por 50 votos a 49. Três republicanos em disputa pela reeleição — Susan Collins, do Maine; Jon Husted, de Ohio; e Dan Sullivan, do Alasca — votaram a favor. Posicionamentos desfavoráveis Embora o Departamento de Justiça tenha informado que não pretende mais levar adiante o plano de compensações defendido por Trump, a emenda buscava obrigar os republicanos a registrar um voto politicamente desconfortável sobre o tema. Muitos integrantes do partido já haviam afirmado que gostariam de transformar em lei a proibição de um fundo desse tipo. — Os Estados Unidos nunca viram um caso tão claro de corrupção quanto o caixa paralelo de Donald Trump — afirmou o líder da minoria democrata, Chuck Schumer, de Nova York, ao apresentar a proposta, acrescentando que o próprio presidente continua dizendo que "adora" o fundo e o considera importante. Collins registrou seu voto favorável logo no início, após conversas com líderes republicanos, que podiam perder poucos apoios. Já o senador Bill Cassidy, da Louisiana — derrotado por um adversário apoiado por Trump e aparentemente mais disposto a confrontar o presidente —, além de Husted e Sullivan, segurou seu voto por horas. Mais tarde, Cassidy afirmou que tentava obter o melhor acordo possível para garantir uma votação capaz de eliminar o fundo. — Eu só queria maximizar as chances de sucesso — disse, após votar contra a proposta. Sua alternativa final, que restringiria qualquer eventual fundo federal de compensação exclusivamente aos agentes de segurança que defenderam o Capitólio durante os ataques de 6 de janeiro, acabou derrotada pelo próprio partido. Apenas cinco republicanos se juntaram a ele e aos democratas. O apoio não foi suficiente para alcançar os 60 votos necessários para aprovação. A proposta surgiu após Cassidy passar boa parte da quinta-feira e da madrugada desta sexta negociando com democratas e assessores do Senado uma alternativa que barrasse completamente o fundo. Ele abandonou a iniciativa ao concluir que não havia apoio suficiente para sua aprovação. Desconforto revelado Ainda assim, a votação revelou o desconforto de parte significativa dos republicanos em relação ao fundo defendido por Trump. Além de Cassidy, votaram a favor da emenda Collins, Husted, Murkowski, Sullivan e Thom Tillis. A sequência de votações foi exatamente o cenário que Schumer vinha antecipando havia dias, ao prometer usar o projeto de imigração para forçar os republicanos a defender algumas das medidas mais impopulares do presidente em meio à crise do custo de vida enfrentada pelos eleitores. O Senado também rejeitou uma proposta do senador Jeff Merkley, democrata do Oregon, que impediria o uso de recursos federais ou de doações privadas para o projeto do salão de bailes da Casa Branca sem autorização do Congresso. Collins, Husted, Tillis, Sullivan e Murkowski apoiaram a medida, mas ela não atingiu os 60 votos necessários. Outra proposta derrotada pelos republicanos buscava impedir que Pulte, diretor da Agência Federal de Financiamento Habitacional, acumulasse o cargo de diretor nacional de Inteligência. A emenda determinava que nenhuma autoridade poderia exercer essa função enquanto comandasse outra agência federal. Cassidy, Collins e Murkowski votaram com os democratas. Muitas das emendas apresentadas pelos democratas ao longo do dia não tinham expectativa real de aprovação. O objetivo era criar material político para as eleições legislativas de meio de mandato e reforçar a mensagem de que os republicanos estariam priorizando os interesses pessoais do presidente em detrimento das necessidades das famílias americanas. Os republicanos reagiram afirmando que a atenção dada ao fundo — que se transformou em um dos principais obstáculos ao avanço do projeto de imigração, embora não fosse mencionado no texto — era apenas uma tentativa democrata de desviar o foco da oposição ao financiamento do ICE e da Patrulha de Fronteira. O líder da maioria no Senado, John Thune, da Dakota do Sul, foi à tribuna na manhã de quinta-feira para tentar recolocar a imigração no centro do debate. — Estamos aqui hoje apenas porque os democratas se recusam a destinar um único dólar para a nossa fronteira e para a aplicação das leis de imigração — afirmou.