Em 1509, o italiano Luca Pacioli publicou um livro intitulado "Da Divina Proporção", ilustrado por ninguém menos do que Leonardo da Vinci. Era um livro de matemática, dedicado ao número (1+√5)/2, chamado "razão áurea", cujas propriedades fascinavam Pacioli (e muitos outros, antes e depois). Mas acabou ficando mais famoso por ter dado origem à teoria de que a razão áurea teria um papel crucial na estética e na arte. Não era a intenção do autor, mas a coisa boa é que essa teoria terminou inspirando alguns grandes artistas, como o nosso Cândido Portinari.
A descoberta de uma relação direta entre a razão áurea e os números de Fibonacci, apontada em 1611 pelo astrônomo Johannes Kepler, ainda acentuou mais esse mito de que a conexão entre a arte e a matemática passa primariamente pela razão áurea. A verdade é que as pontes entre esses dois domínios da atividade humana são muito mais diversas e profundas, e a melhor prova disso é dada pela Bridges, uma grande conferência internacional dedicada, precisamente, a explorar as conexões entre o mundo matemático e o mundo artístico.
A Bridges teve início em 1998, por iniciativa do matemático Reza Sarhangi, que organizou a primeira edição em Winfield, no estado americano do Kansas. De então para cá, ela vem acontecendo anualmente, em diferentes cidades à volta do mundo: a edição 2025 foi realizada em Eindhoven, na Holanda, e em 2026 está programada para 5 a 8 de agosto, na cidade irlandesa de Galway.







