Na semana passada entrou em vigor a decisão dos EUA de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. A reação brasileira seguiu um padrão conhecido: debate-se o cenário mais ruidoso e menos provável, enquanto se ignora o canal de transmissão mais imediato.

Esse canal não é militar. É financeiro. O Brasil é grande demais para ser tratado como México ou Venezuela. Mas seus cidadãos e empresas dependem de bancos, comércio exterior e investimentos conectados ao sistema financeiro global.

A primeira consequência provável será o aumento da cautela das instituições financeiras. Quem estiver com cadastros, origem de recursos e documentação em ordem provavelmente seguirá operando. Quem não estiver poderá enfrentar o chamado "de-risking": o encerramento preventivo de relações por bancos que preferem perder clientes a correr o risco de servir, ainda que sem saber, alguém associado a uma entidade designada pelos Estados Unidos.

Na prática, isso pode significar atrasos, bloqueios ou dificuldades em operações internacionais legítimas. O problema não será apenas de quem comete crime. Será também de quem não consegue provar rapidamente que não tem relação alguma com ele.