A Polícia Federal ainda considera insuficiente a segunda proposta de colaboração premiada apresentada pela defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e deve recusar a delação. Uma primeira versão do acordo já foi rejeitada pela PF. O Valor apurou que a defesa do ex-banqueiro chega a mencionar os repasses para o filme “Dark Horse”, sobre a história de Jair Bolsonaro, e também a relação dele com o senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP. Ele foi alvo de uma operação da PF, em maio, por suspeita de usar seu mandato para favorecer o extinto Banco Master, do qual Vorcaro era dono. Os investigadores, porém, ainda consideraram fracos os relatos. Na proposta, a defesa teria sinalizado, por exemplo, que os repasses para o filme, revelados pelo site Intercept Brasil, seriam “patrocínio” e não propina. O pedido de recursos foi feito pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente, que negou haver irregularidades. O argumento de Vorcaro chamou a atenção dos investigadores, já que a transação foi feita por meio de uma empresa que não está no nome de Vorcaro para uma holding sediada nos Estados Unidos e que pertence a um advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). A estrutura com objetivo de ocultar o nome de Vorcaro na transação destoa das práticas normais de patrocínio. No Brasil a legislação prevê benefício fiscal para empresas que patrocinam filmes. A nova proposta ainda previa uma devolução maior de dinheiro, superior aos R$ 40 bilhões sinalizada na primeira tratativa. A PF, porém, ainda não fechou as estimativas do tamanho do prejuízo causado pelas fraudes do Master e vê com desconfiança a postura de Vorcaro de oferecer um pagamento maior sem trazer novas informações que justifiquem a concessão de benefícios. Na avaliação de fontes ligadas ao caso, o ex-banqueiro ainda não teria "virado a chave" e passado a reconhecer crimes em sua relação com políticos e autoridades. Neste sentido, a segunda proposta ainda é vista pela PF como insuficiente, sem trazer novos fatos que permitam ampliar o escopo das investigações, que já contam com muitas frentes e um grande volume de material apreendido e sob análise. A tendência é de que, se nenhuma nova informação ou detalhamento mais robusto for apresentado, a rejeição seja comunicada ainda nesta semana, já que o prazo para Vorcaro permanecer com mais tempo de visitas de seus advogados na prisão vence na sexta-feira. A defesa do ex-banqueiro ainda não foi comunicada da posição da PF e ainda não há previsão de nova reunião entre a defesa com PF e PGR. Procurada, a defesa de Vorcaro não se manifestou. Até o momento, a PGR ainda não bateu o martelo sobre se aceita ou não a nova proposta de delação. A expectativa é de que uma manifestação do órgão seja encaminhada até sexta ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF. Já a PF havia se manifestado ao Supremo contrária à primeira proposta, e depois sinalizou interesse em retomar as tratativas para uma segunda proposta. Mesmo com uma eventual recusa da PF, a defesa pode fechar acordo somente com a PGR, que é quem apresenta as denúncias.