A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro apresentou nesta semana uma nova proposta de acordo de colaboração premiada à Polícia Federal e à PGR. A informação foi publicada inicialmente pelo g1. O Valor confirmou com fontes ligadas ao caso que a proposta foi apresentada em uma reunião com autoridades dos dois órgãos na segunda-feira e um adendo foi apresentado ontem. Após a apresentação do material, havia a previsão de ser realizada uma reunião nesta quarta entre defesa e investigadores, mas ela teve que ser adiada porque as autoridades pediram mais tempo para analisar o material apresentado. Com várias frentes de investigação abertas e um grande volume de informações já obtidos, a PF e a PGR precisam avaliar neste momento o que uma eventual colaboração de Vorcaro poderia acrescentar de fato às investigações, como implicar novos nomes, permitir a abertura de novas frentes de investigação ou mesmo devolver uma quantia significativa de recursos. O novo material foi apresentado após o ministro André Mendonça, do STF, autorizar Vorcaro na semana passada a ficar mais tempo com sua equipe de defesa na Superintendência da PF em Brasília, onde está preso preventivamente na sala que foi adaptada para receber o ex-presidente Jair Bolsonaro. Desde então, Vorcaro vinha se reunindo todos os dias com sua defesa, conduzida pelo advogado Sergio Leonardo. A expectativa era de que uma nova proposta fosse apresentada na primeira quinzena de junho. Após a análise, PF e PGR precisam definir se vão aceitar a nova proposta ou se vão pedir mais informações. Em sua proposta inicial, o ex-banqueiro havia apresentado uma versão considerada fraca pela PF e PGR e na qual tratava o senador Ciro Nogueira apenas como "amigo" e indicava não saber que o resort Tayayá pertencia ao ministro Dias Toffoli, do STF. Independentemente da colaboração, a PF vem avançando em novas frentes da investigação e a avaliação é de que a delação não seria imprescindível, já que a perícia vem conseguindo extrair informações dos celulares do banqueiro e que os materiais apreendidos nas fases anteriores também estão sendo analisados. — Foto: Ana Paula Paiva/Valor