Marcas voltam a investir em diversidade, após anos de recuo no apoio a essa pauta Ativistas da Fundação Gilbert Baker carregam uma bandeira do arco-íris de 300 metros durante as comemorações do WorldPride 2025 em Washington — Foto: Anna Moneymaker/Getty Images via Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 08/06/2026 - 12:15 Empresas americanas reacendem patrocínio LGBTQ+ no Mês do Orgulho Empresas americanas aumentam patrocínios a causas LGBTQ+ durante o Mês do Orgulho, revertendo anos de recuo. Marcas como Mastercard e Levi Strauss intensificam apoio, enquanto eventos nos EUA relatam maior envolvimento empresarial. Apesar da cautela devido a pressões políticas, entidades como a NYC Pride recuperam patrocínios, destacando a Target. Contudo, o apoio geral permanece abaixo dos níveis da década de 2020. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO As empresas dos Estados Unidos estão gastando mais com causas LGBTQ+ e eventos do Mês do Orgulho agora em junho, uma mudança significativa após anos de recuo e de reações contrárias às iniciativas de diversidade, equidade e inclusão (DEI). A Mastercard está aumentando seus investimentos, incluindo o custeio da participação de cerca de 100 funcionários e executivos em marchas do Orgulho neste ano. A American Eagle Outfitters está entre as empresas que ampliaram suas contribuições para causas ligadas a lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros e pessoas queer. Já a Levi Strauss, que está doando US$ 100 mil ao grupo de direitos humanos Outright International, presta homenagem aos motoclubes queer com uma coleção de camisetas sem mangas e jaquetas trucker. Eventos do Orgulho em cidades que vão de Milwaukee a Lexington, no Kentucky, também relatam um apoio empresarial mais forte. — As empresas estão voltando a se engajar — afirmou Bob Witeck, presidente da Witeck Communications, empresa que assessora negócios sobre como se relacionar com consumidores, funcionários e comunidades LGBTQ. Segundo ele, algumas empresas estão respondendo à pressão de seus próprios funcionários para demonstrar maior apoio às questões LGBTQ. Também é provável que as empresas estejam encarando o apoio ao Orgulho mais como uma decisão de marketing do que como um posicionamento político, acrescentou. Ainda assim, esse retorno dos investimentos está ocorrendo de forma mais discreta do que em anos anteriores. — Não é o mesmo nível de visibilidade — disse Witeck. A NYC Pride, organização responsável pela maior Parada do Orgulho dos Estados Unidos, tem quase uma dúzia de patrocinadores a mais do que tinha no ano passado, colocando-a no caminho para equilibrar suas contas. Há um ano, a entidade enfrentava um déficit de US$ 750 mil depois que patrocinadores como Mastercard, Target e Skyy Vodka deixaram de atuar como grandes apoiadores em meio ao crescimento da oposição conservadora e à pressão do governo Trump para que empresas recuassem em iniciativas de diversidade, equidade e inclusão (DEI). A Davide Campari-Milano NV, proprietária da Skyy, informou que a marca está patrocinando a NYC Pride neste ano, além de outros eventos do Orgulho. Agora, porém, muitas empresas estão retornando como patrocinadoras. Até mesmo aquelas que não desejam ser publicamente identificadas estão cada vez mais dispostas a contribuir financeiramente, afirmou Im Lynde, diretor-executivo da NYC Pride. — Estamos em uma situação financeira melhor. Definitivamente, não existe o mesmo nível de medo intenso que havia no ano passado— disse ele. A Target, por exemplo, que segundo Lynde foi uma “parceira silenciosa” no ano passado, voltou a figurar publicamente como patrocinadora platina. A varejista tornou-se um dos principais focos do debate sobre o apoio corporativo à comunidade LGBTQ e registrou queda nas vendas após a controvérsia envolvendo uma campanha de produtos do Mês do Orgulho em 2023. Em comunicado, a Target afirmou que “continuará celebrando o Mês do Orgulho por meio do patrocínio de eventos locais em comunidades de todo o país, da curadoria de uma seleção de produtos e da realização de programas internos para apoiar nossa equipe”. Apesar dos sinais de recuperação, profissionais de marketing e ativistas LGBTQ afirmam que os patrocínios para eventos do Orgulho ainda estão bem abaixo dos níveis observados no início da década de 2020. O retorno do presidente Donald Trump à Casa Branca acelerou o recuo das empresas. Quando ele assinou ordens executivas no início de 2025 visando programas de diversidade, equidade e inclusão (DEI), incluindo orientações sobre o uso de pronomes e políticas relacionadas à identidade de gênero, dezenas de companhias já haviam se distanciado publicamente de causas LGBTQ. As empresas continuam agindo com cautela, avaliando o risco de provocar reações negativas de líderes republicanos em comparação com as expectativas de funcionários e consumidores mais progressistas. Uma nova pesquisa da Gallup destaca essa crescente divisão. O levantamento realizado em maio constatou que o apoio ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e a outras questões relacionadas à comunidade LGBTQ diminuiu após duas décadas de avanços. No entanto, quase toda essa queda decorre da mudança de opinião entre os republicanos. Em 2022, a maioria dos republicanos afirmava apoiar o casamento gay. Neste ano, esse percentual caiu para 37%. As opiniões dos democratas permaneceram praticamente inalteradas. Robby Starbuck, ativista contrário às iniciativas de DEI, que levou mais de uma dúzia de grandes varejistas a se afastarem de atividades ligadas à comunidade LGBTQ para evitar boicotes em 2024, afirmou que pretende acompanhar de perto as ações das empresas neste mês para verificar se elas voltarão atrás em suas mudanças de postura. Segundo ele, está preparado para criticá-las novamente diante de seus seguidores nas redes sociais. Eventos menores do Orgulho enfrentaram menos dificuldades porque dependem mais de empresas locais, que são menos vulneráveis à pressão de ativistas como Starbuck, afirmou Jason Schubert, presidente do Lexington Pride Center. O evento anual do Orgulho promovido pelo grupo em Kentucky, realizado no último fim de semana de maio, reuniu cerca de 20 mil pessoas. A organização sofreu um revés há dois anos, quando a Toyota Motor retirou seu apoio financeiro após Starbuck defender um boicote à montadora por causa de suas iniciativas de DEI. No entanto, o festival conseguiu se recuperar em grande parte neste ano graças ao apoio da comunidade local, disse Schubert. — A fase de choque já passou um pouco—disse ele. A Toyota não comentou o assunto. Consultores corporativos e organizadores de eventos afirmam que muitas empresas continuam celebrando o Mês do Orgulho sem alterações em suas iniciativas. A Apple lançou uma pulseira esportiva edição Pride para seu relógio e promoveu um novo papel de parede temático do Orgulho para seus dispositivos como parte de uma atualização recente do sistema operacional. A Levi’s é patrocinadora da Parada do Orgulho de São Francisco e também apoia paradas em Amsterdã, Cidade do México, Paris e Varsóvia. Empresas de turismo e companhias aéreas também demonstram poucos sinais de redução em seu apoio. — A Delta não reduziu sua participação — afirmou o diretor-presidente da companhia aérea, Ed Bastian, à Bloomberg no mês passado, quando questionado sobre os planos da empresa para o Mês do Orgulho. — Continuamos atuando e oferecendo apoio de forma ativa.
Empresas americanas ampliam patrocínios a causas LGBTQ+ no Mês do Orgulho
Marcas voltam a investir em diversidade, após anos de recuo no apoio a essa pauta













