O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, atendeu a pedido de Flávio Bolsonaro e suspendeu a divulgação da pesquisa AtlasIntel. Mas isso não deve ajudar Flávio. A pesquisa foi divulgada em 19 de maio; o impacto dela já passou. Ninguém nem lembrava mais. A decisão talvez tenha, aí, sim, um impacto negativo, ao mostrar que Flávio não defende a liberdade de expressão; quando a pesquisa lhe desagrada, ele é o primeiro a pedir censura.

Decisões na mesma linha que vierem no tempo certo, contudo, podem, sim, ter impacto. Isso porque as pesquisas eleitorais não só retratam a intenção de voto num determinado momento; elas podem influenciar essa intenção. O efeito é modesto, mas consistente. Por algum motivo, as pessoas não gostam de votar em quem elas acham que vai perder. Isso cria um "efeito manada", positivo ou negativo: um candidato visto como em ascensão tende a ganhar mais votos, já aquele visto como em queda tende a perder ainda mais. Numa eleição polarizada em que os candidatos estão muito próximos, o efeito modesto pode ser decisivo.

Para Flávio, em meio a uma torrente de más notícias, é importante não ser visto como um animal ferido que ruma ao colapso —ou o colapso pode vir mesmo. Só que o argumento que seu time utilizou para pedir a retirada da pesquisa do ar foi muito fraco. Segundo ele, a pesquisa, ao mostrar as mensagens trocadas entre Flávio e Vorcaro, influenciava o entrevistado. O problema é que o trecho do formulário (online) que trazia essa informação era posterior ao entrevistado já ter respondido e submetido sua intenção de voto.