A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral, pediu vista nesta terça-feira 9 e suspendeu o julgamento que iria analisar decisão de Kassio Nunes Marques de suspender pesquisa do Instituto AtlasIntel que usou áudios de conversas entre o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e o ex-CEO do Banco Master Daniel Vorcaro.

Segundo regimento interno do TSE, pedidos de vista paralisam processos por até 30 dias. Além disso, os ministros irão julgar, posteriormente, o mérito da pesquisa.

Nesta segunda-feira 8, o ministro acolheu o pedido de Flávio para barrar a pesquisa, publicada em 19 de maio. O levantamento apontou uma queda de sete pontos percentuais nas intenções de voto do senador em um eventual segundo turno contra o presidente Lula (PT).

No pedido, Flávio disse que a sondagem, ao apresentar perguntas sobre o escândalo do Master e os áudios entre o senador e Vorcaro teria influenciado artificialmente os entrevistados. A gravação do diálogo foi incluída na pesquisa depois das respostas sobre as intenções de voto.

Durante a sessão, Nunes Marques defendeu sua decisão ao afirmar que as perguntas feitas, após um “bloco acusatório” de questionamentos, refletiu no resultado das respostas dos entrevistados, uma vez que eles foram submetidos a “estímulos negativos”. Para o ministro, a pesquisa tem indícios de perguntas que “aparentam extrapolar a aferição neutra do eleitor”, sobretudo por introduzir o áudio entre Flávio e Vorcaro logo após perguntar se o entrevistado tinha conhecimento das conversas.